“Dark Horse” PF suspeita de desvio de R$ 750 mil e uso de emendas de Mario Frias

Karina Ferreira da Gama e Mario Frias
Karina Ferreira da Gama ao lado do deputado federal Mario Frias (PL-SP) na diplomação dos eleitos de 2022. Foto: Reprodução

A Polícia Federal investiga a suspeita de que R$ 750 mil transferidos à Go Up Entertainment, produtora do filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), tenham origem em recursos públicos de emendas parlamentares do deputado Mário Frias (PL-SP). O inquérito levou à Operação Make Up, deflagrada nesta quinta (10) com autorização do ministro Flávio Dino, do STF.

A apuração examinou movimentações financeiras do Instituto Conhecer Brasil, organização presidida por Karina Gama, que também é dona da Go Up. Duas empresas receberam R$ 700 mil do instituto entre fevereiro e março de 2025; entre novembro e dezembro daquele ano, a NTT Brasil, pertencente ao mesmo grupo, repassou R$ 750 mil à produtora.

No pedido que embasou a decisão de Dino, a PF afirma que os elementos disponíveis “não permitem afirmar” que os R$ 750 mil tenham “origem direta” nos valores recebidos pelo instituto. Os investigadores, porém, destacaram a coincidência dos montantes e das datas das transferências.

Flávio Bolsonaro (PL), senador e candidato à Presidência, alegou anteriormente que o filme não utilizou recursos públicos. Filho do ex-presidente, ele não é investigado neste inquérito, mas figura em outra apuração sobre “Dark Horse”, sob relatoria do ministro André Mendonça.

PF aponta despesas da produtora durante as filmagens

Fachada do Congresso Nacional em Brasília
Jim Caviezel interpreta Jair Bolsonaro em “Dark Horse”. Foto: Reprodução

A decisão judicial registra que a Go Up pagou R$ 906,7 mil a um hotel e R$ 653 mil a uma empresa de alimentação durante as filmagens, realizadas entre 20 de outubro e 7 de dezembro de 2025. A PF relacionou essas despesas ao período em que a produtora recebeu os recursos.

Os investigadores afirmaram que chama atenção a coincidência entre a gravação do longa e as movimentações financeiras, além da natureza dos gastos com hotel de alto padrão, refeições e produtoras. “Dark Horse” trata da trajetória política de Bolsonaro e tem Mário Frias como produtor executivo.

Relatórios do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) também embasaram a operação. Um dos documentos indica que Frias enviou R$ 645,4 mil à Go Up em menos de 60 dias, cifra que a PF considerou incompatível com os rendimentos mensais de um deputado federal, estimados em cerca de R$ 44 mil.

A operação cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. A PF apura a atuação de uma suposta organização criminosa que teria direcionado verbas de emendas a empresas subcontratadas sem comprovação dos serviços; as tentativas de dissimular os desvios teriam continuado até julho deste ano.

Artigo Anterior

Flávio Bolsonaro e Lula empatam no 2º turno, diz AtlasIntel

Próximo Artigo

Haddad cobra: a quem interessa esconder a capivara de Flávio Bolsonaro?

Escrever um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter por e-mail para receber as últimas publicações diretamente na sua caixa de entrada.
Não enviaremos spam!