
Hackers usaram o site institucional do candidato à Presidência Augusto Cury (Avante) e o portal do PT da Bahia para inserir links de bets, cassinos e conteúdo relacionado a prostituição, segundo a Folha de S.Paulo. A ação buscou aumentar a visibilidade de páginas de terceiros nos mecanismos de busca ao explorar a reputação dos dois domínios.
No endereço ligado a Cury, links de plataformas de apostas foram misturados a páginas sobre livros, filmes, palestras e a trajetória do escritor e psiquiatra. O site também passou a reunir uma lista de URLs com títulos ou descrições que remetem a serviços de acompanhantes.
O portal do PT da Bahia exibiu textos inteiros sobre cassinos e plataformas de apostas na página inicial e na seção de notícias, entre publicações partidárias. Parte do conteúdo apareceu em idiomas diferentes e direcionava visitantes a endereços externos ligados a cassinos.
A campanha de Cury e o PT da Bahia não responderam aos pedidos de manifestação feitos pela Folha de S.Paulo.
Arquivo do site de Cury listava 55 URLs sobre apostas e acompanhantes

Os invasores usaram uma técnica conhecida como SEO parasita, que aproveita a autoridade de sites legítimos para elevar a posição de conteúdos inseridos ilegalmente nas buscas. A estratégia espalha páginas semelhantes por diferentes domínios para induzir ferramentas como o Google a tratá-las como relevantes.
No caso de Cury, um arquivo chamado “llms.txt”, usado para orientar sistemas de inteligência artificial sobre a leitura e o resumo de um site, concentrava ao menos 55 URLs com referências explícitas a apostas e prostituição. Os títulos e descrições estavam em português, russo, alemão e turco.
Fernando Amatte, consultor de segurança digital da Oakmont Group, afirmou que falhas em plataformas de criação e administração de sites e em suas extensões costumam abrir caminho para esse tipo de invasão. “Aquele sistema tem uma falha e, de repente, a gente tem um milhão de sites usando o mesmo componente com aquela falha”, disse.
Amatte afirmou que responsáveis por páginas na internet precisam atualizar ou substituir componentes vulneráveis. “Na grande maioria das vezes, existem versões novas e as pessoas continuam usando versões antigas”, declarou.
Se o sistema estiver desatualizado ou mal configurado, invasores podem publicar conteúdo automaticamente, sem revisão prévia. Os links inseridos podem levar a páginas de apostas ou pornografia, exibir anúncios que remuneram os operadores ou induzir usuários a baixar arquivos maliciosos.