Os jogos de apostas virtuais, que na prática são jogos de azar vendidos como entretenimento, se tornaram um grave problema social no Brasil. Muitas famílias estão endividadas devido ao vício de seus provedores com esses jogos. Trata-se de uma indústria bilionária, com regulamentação frágil e que leva parte considerável da renda das famílias com apostas compulsivas, sobretudo as mais vulneráveis.
Existem duas grandes modalidades desses jogos online, o “tigrinho” e as “bets”, ambas extremamente nocivas as famílias brasileiras. O primeiro é um jogo de azar clássico, no formato virtual, a pessoa contra a máquina, perdendo todo o dinheiro apostado ao sabor dos algoritmos sem nenhuma mediação com o mundo fora da tela. Essa modalidade conta com muitos blogueiros divulgando seus jogos, ganhando milhões com a desgraça alheia.
As “bets”, com faturamento bilionário, se tornaram o principal e maior patrocinador do futebol brasileiro, seja aos clubes, de todos os portes, quanto aos campeonatos, via federações e da própria confederação brasileira de futebol – CBF. Ou seja, estampam espaço de destaque na maior paixão nacional: o futebol. Cada centavo investido pela “bets” em patrocínio retorna de forma multiplicada aos seus cofres, pela manutenção do vício das apostas compulsivas.
Mesmo que isso signifique abrir mão de um grande volume de arrecadação de tributos, o presidente Lula estaria disposto a proibir todos os jogos de apostas virtuais. Corretamente!
Diante desse cenário, o governo federal iniciou uma discussão sobre a necessidade de uma medida provisória para regulamentar esses jogos. Mesmo que isso signifique abrir mão de um grande volume de arrecadação de tributos, o presidente Lula estaria disposto a proibir todos os jogos de apostas virtuais. Corretamente!
A partir da especulação do conteúdo dessa possível medida provisória, iniciou-se uma ofensiva das Federações de Futebol Paulista e Carioca, acompanhada pelos grandes clubes de seus estados, com o lançamento de um manifesto público intitulado “o fim do futebol brasileiro”. Um verdadeiro circo de horror, pautada pela mentira e negação da história do futebol brasileiro, a nota é uma vergonhosa luta política em favor dos cassinos digitais que estão destruindo a economia das famílias brasileiras.
O futebol brasileiro é o único pentacampeão mundial, em todos os títulos com maioria dos jogadores atuando no campeonato brasileiro e sem financiamento de jogatina digital, sequer existiam. Com as “bets” estamos passando vergonha nas copas. O futebol brasileiro carece de uma reformulação, com foco na formação de jogadores, calendário nacional para os times pequenos, profissionalização da arbitragem, melhor divisão das cotas de TV e outras receitas. Talvez o fim do nosso futebol seja não pautar esses temas com centralidade.
Gustavo Mascarenhas é Militante do Semear-PSOL e apaixonado pelo Flamengo e pelo futebol brasileiro