Governo Trump envia latino-americanos à África em nova onda de deportações

O governo Trump tem feito a deportação de latino-americanos para a África. Imagem mostra fila de detidos em posto de migração.
Migrantes sendo deportados após serem detidos em El Paso (TX). Foto: Jose Luis Gonzalez/Reuters

Os Estados Unidos passaram a intensificar o envio de latino-americanos detidos por imigração para países da África dentro da política de deportações para terceiros países adotada pelo governo Donald Trump. Na sexta-feira (17), um voo que saiu do estado de Louisiana levou à República Democrática do Congo ao menos 15 requerentes de asilo de Peru, Equador e Colômbia, na primeira operação do tipo após o acordo firmado neste mês entre Washington e Kinshasa, capital do país africano.

A nova etapa faz parte de uma estratégia mais ampla de aceleração das remoções. Um relatório da ala democrata da Comissão de Relações Exteriores do Senado dos Estados Unidos afirma que o governo já gastou ao menos US$ 40 milhões para deportar cerca de 300 imigrantes para países com os quais eles não têm vínculo familiar, linguístico, cultural ou jurídico.

A República Democrática do Congo é o acordo mais recente dessa política, que também vem sendo ampliada para outros países africanos e latino-americanos. O grupo enviado na semana passada foi descrito como a primeira leva de sul-americanos deslocados para Kinshasa sob esse novo arranjo, enquanto fontes ouvidas pela Reuters indicaram que a operação fazia parte de um plano maior, inicialmente desenhado para mais de 30 deportados.

Imagem ilustrativa. Vista aérea de Kinshasa, capital do Congo.
Kinshasa, a capital da República Democrática do Congo. Foto: Reprodução/GettyImages

Parte das pessoas deportadas tinha proteção judicial ou alegava risco grave caso voltasse ao país de origem. De acordo com a Reuters, uma colombiana foi enviada ao Congo depois de um juiz de imigração nos Estados Unidos reconhecer que ela corria alto risco de tortura se retornasse à Colômbia. Ainda assim, ela foi colocada no voo e permanece em Kinshasa, sob custódia de fato em um hotel, segundo sua defesa.

Os deportados ficaram hospedados em um hotel próximo ao aeroporto de Kinshasa, sob vigilância da polícia congolesa, e passaram a receber assistência humanitária da Organização Internacional para as Migrações. Migrantes e advogados afirmam que há pressão para aceitar retorno “voluntário” aos países de origem, sob ameaça de perda de apoio, enquanto os termos do acordo entre Estados Unidos e Congo seguem sem detalhamento público.

Especialistas em direitos humanos e advogados que acompanham os casos sustentam que a prática pode violar o devido processo, o princípio de não devolução e as regras de proteção internacional de pessoas que pedem refúgio. A disputa, agora, passa tanto pelas ações judiciais abertas nos Estados Unidos quanto pela falta de transparência sobre as condições oferecidas aos deportados nos países que aceitaram recebê-los.

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