Efeito Milei: economia da Argentina tem a maior queda em fevereiro desde 2024

Sob o presidente Javier Milei, economia da Argentina em fevereiro.
O presidente da Argentina, Javier Milei. Foto: Reprodução/AFP

A economia da Argentina caiu 2,1% em fevereiro na comparação com o mesmo mês em 2025, segundo o Estimador Mensal de Atividade Econômica divulgado nesta terça-feira (22) pelo INDEC (Instituto Nacional de Estatísticas e Censos). Na série dessazonalizada, o recuo foi de 2,6% em relação a janeiro.

O dado mostra uma virada brusca depois do resultado positivo de janeiro, quando a atividade havia crescido 1,7% na comparação anual. Com isso, o acumulado do primeiro bimestre de 2026 passou a indicar retração de 0,2% frente ao mesmo período do ano passado.

O quadro de fevereiro foi puxado principalmente pela queda da indústria manufatureira, que recuou 8,7%, e do comércio atacadista, varejista e de reparações, que caiu 7,0%. Juntos, esses dois segmentos retiraram 2,2 pontos percentuais do indicador geral.

Dois manifestantes, aonde um segura a bandeira da Argentina, enquanto a Polícia, de frente ao parlamento, usa um canhão d'água nos manifestantes.
Em fevereiro, protestos tomaram a Argentina após a aprovação da nova reforma trabalhista. Foto: Rodrigo Abd/AP Photo

Ao mesmo tempo, oito setores registraram alta na comparação anual. Os principais avanços vieram de pesca, com 14,8%, e de exploração de minas e canteras, com 9,9%. A atividade de agricultura, pecuária, caça e silvicultura também subiu 8,4%, e, ao lado da mineração, respondeu por 0,8 ponto percentual de contribuição positiva no indicador.

O novo resultado aparece depois de um 2025 em que o PIB argentino cresceu 4,4%, segundo o próprio INDEC, mas sob forte desigualdade entre setores. Naquele ano, agro, mineração e serviços financeiros puxaram a recuperação, enquanto áreas ligadas ao consumo interno e ao mercado de trabalho seguiram mais frágeis.

A inflação continua como um dos elementos centrais desse quadro. Em fevereiro, o índice mensal de preços ao consumidor da Argentina ficou em 2,9%, acima da projeção de analistas consultados pela Reuters, o que manteve pressão sobre renda e consumo.

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