
O presidente Lula anunciou nesta quinta-feira (20) um edital de R$ 1,06 bilhão para a compra do primeiro supercomputador de Estado dedicado à inteligência artificial. O governo pretende concluir a aquisição ainda em 2026 e instalar a máquina no Parque Tecnológico Augusto Severo, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).
O edital entrará em consulta pública pelos próximos dois meses e seria publicado em edição extra do Diário Oficial da União no mesmo dia do anúncio. O orçamento reserva R$ 960 milhões para a aquisição do equipamento e R$ 100 milhões para sua implantação, com pagamentos parcelados.
A máquina deve alcançar cerca de 7.200 petaflops, equivalentes a 7,2 quintilhões de operações matemáticas por segundo. A capacidade estimada é dez vezes superior à do Santos Dumont, maior supercomputador do governo, mantido pelo Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), em Petrópolis, no Rio de Janeiro.
O Rio Grande do Norte superou candidaturas do Rio de Janeiro e de Campinas (SP). O governo apontou o potencial energético do estado como fator para a escolha, enquanto o LNCC executará o projeto com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.

A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, defendeu o investimento como medida de soberania tecnológica. “Nós seremos donos do nosso destino. Soberania não é retórica, é atitude, é prática, é tirar do papel”, afirmou durante a cerimônia.
Luciana Santos disse que 60% da inteligência brasileira é processada fora do país. “Não falta inteligência, falta capacidade computacional para colocar essa inteligência a nosso favor e de volta para casa”, declarou. O edital prevê contrapartidas de transferência de tecnologia, pesquisa, desenvolvimento, conteúdo local e participação de fornecedores brasileiros, além da capacitação de 5 mil pessoas em cinco anos.
O governo espera uma disputa entre fornecedores e não definiu qual fabricante fornecerá os chips. Nvidia, AMD e Intel aparecem entre as empresas capazes de participar, e a previsão oficial é receber o equipamento entre 12 e 18 meses após a contratação.
Lula também anunciou cooperação tecnológica com empresas chinesas, incluindo um aporte de R$ 1,2 bilhão da Huawei para ampliar a supercomputação, desenvolver modelos de IA em português e formar profissionais. O pacote inclui a participação brasileira no desenvolvimento de chips com arquitetura aberta RISC-V e a criação da Nuvem Brasileira, voltada ao armazenamento e processamento de dados no país.
O governo ainda estruturará o Centro Nacional de Transparência Algorítmica e IA Confiável, que funcionará na Universidade Federal de Minas Gerais. A unidade receberá R$ 125 milhões inicialmente e poderá obter aporte equivalente da iniciativa privada para avaliar riscos e vieses em sistemas usados por políticas públicas, como a aplicação do ECA Digital.