O Governo Central registrou superávit primário de R$ 10,8 bilhões em julho, revertendo o déficit de R$ 59,1 bilhões registrado no mesmo mês de 2025. O resultado reúne as contas do Tesouro Nacional, Banco Central e Regime Geral da Previdência Social (RGPS) e foi divulgado pela Secretaria do Tesouro Nacional.
Apesar do resultado positivo no mês, as contas públicas continuam deficitárias no ano: entre janeiro e julho, o Governo Central registrou déficit primário de R$ 81,3 bilhões, acima dos R$ 70,3 bilhões negativos contabilizados no mesmo período de 2025.
Em julho, a receita líquida apresentou crescimento real de R$ 16,1 bilhões, ou 7,7%, na comparação com 2025. Ao mesmo tempo, a despesa total caiu R$ 56,4 bilhões em termos reais, uma redução de 20,7%.
No acumulado dos sete primeiros meses do ano, entretanto, a trajetória é diferente. A receita líquida cresceu R$ 84 bilhões em termos reais, alta de 5,9%, enquanto a despesa total aumentou R$ 92,9 bilhões, avanço de 6,2%.
Precatórios distorcem comparação entre os meses
Uma das razões para a diferença do resultado entre julho de 2026 e julho de 2025 está no calendário de pagamentos de sentenças judiciais e precatórios. Em 2025, uma parcela significativa desses pagamentos ocorreu em julho. Em 2026, porém, o cronograma concentrou os pagamentos em março.
Com isso, somente a rubrica de sentenças judiciais e precatórios em custeio e capital apresentou redução de R$ 37,1 bilhões, equivalente a uma queda de 98,8% na comparação entre os dois meses.
O mesmo efeito aparece em outras despesas. Os benefícios previdenciários recuaram R$ 18,1 bilhões, ou 17,7%, em julho, também em grande parte por causa da diferença no calendário de pagamentos de sentenças e precatórios. As despesas com pessoal e encargos sociais caíram R$ 4,2 bilhões, uma redução de 8,9%, pelo mesmo motivo.
Do lado das receitas, houve aumento importante da arrecadação do Imposto de Renda, que cresceu R$ 7 bilhões na comparação com julho de 2025. O Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) avançou R$ 1,5 bilhão, alta real de 21,9%, enquanto a arrecadação relacionada à exploração de recursos naturais cresceu R$ 5 bilhões, impulsionada principalmente pelos royalties e pela combinação de preços internacionais do petróleo e volume de produção.
Também contribuiu de forma extraordinária para o resultado a arrecadação de R$ 3,2 bilhões em Imposto de Exportação sobre óleo bruto, decorrente da Medida Provisória nº 1.340/2026.
Receita cresce, mas despesas avançam mais no acumulado
A receita total do Governo Central alcançou R$ 1,84 trilhão entre janeiro e julho, crescimento nominal de 10,3% e aumento real de 5,7% sobre o mesmo período de 2025. A receita administrada pela Receita Federal cresceu 11,6% em termos nominais, com destaque para o Imposto de Importação, o Imposto de Renda, o IOF e a CSLL.
A arrecadação previdenciária líquida também apresentou avanço de 6,2% em termos reais. Segundo o Tesouro, o resultado está relacionado ao crescimento da massa salarial, à geração de empregos formais, ao desempenho do Simples Nacional e à reoneração escalonada da folha de pagamentos.
Do lado das despesas, entretanto, houve aumento real de 6,2% no acumulado do ano. Os benefícios previdenciários cresceram R$ 26,8 bilhões, alta de 4%, enquanto pessoal e encargos sociais avançaram R$ 16,3 bilhões, ou 6,7%.
As despesas discricionárias tiveram crescimento ainda mais expressivo: 44,6% em termos nominais, equivalente a R$ 41,5 bilhões adicionais. O Tesouro atribui o aumento principalmente à expansão dos pagamentos nas áreas de Saúde, Educação e Assistência Social.