
O empresário Douglas Silva de Oliveira Azara, de 26 anos, completou dois meses foragido após o Tribunal de Justiça de Minas Gerais expedir mandado de prisão preventiva por suspeita de desviar R$ 60 milhões da Zema Financeira. Mesmo procurado, ele mantém publicações nas redes sociais com viagens a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, e Madri, na Espanha.
A Justiça expediu o mandado em 1º de julho, no inquérito sobre o ataque cibernético à instituição financeira sediada em Araxá (MG), ligada à família do ex-governador mineiro Romeu Zema (Novo). Douglas deixou o Brasil em 15 de julho, em voo de primeira classe para Dubai.
Nas publicações feitas no exterior, o empresário mostrou passeios de moto aquática e carros de luxo. Ele também divulgou vídeos de uma passagem por Madri durante o período da Copa do Mundo.
Antes de sair do país, quando já havia ordem de prisão em aberto, Douglas apareceu em Stories jogando pôquer com influenciadores como Nobru, Boca de 09 e Pyong Lee. Ele se tornou conhecido após empresas ligadas a ele anunciarem, em maio de 2026, a suposta compra da fintech Naskar por R$ 1,2 bilhão.

Polícia identificou oito envolvidos no ataque à financeira
A Polícia Civil de Minas Gerais apura um prejuízo de cerca de R$ 75 milhões causado pela invasão dos sistemas da Zema Financeira. Os investigadores apontam que R$ 60 milhões teriam passado pelo esquema atribuído a Douglas, único sócio da empresa Jabuti Capital.
Segundo a investigação, o grupo burlou o acesso ao sistema da financeira, fez operações diretas com chaves de pagamento, quitou boletos falsos e transferiu valores milionários para empresas de fachada e contas de laranjas. A empresa detectou a invasão no fim de 2025 e levou o caso às autoridades.
O inquérito identificou oito suspeitos e levou seis deles à prisão. Além de Douglas, Alex Sander Gomes Junior e Thays de Alvarenga Cardoso da Silva permanecem foragidos com mandados de prisão abertos. Entre os presos estão a advogada Jessika Lorrane, namorada do empresário, e Maycon Douglas, cunhado dele.
A investigação também alcançou Célia Fátima Ferreira, avó materna de Douglas, de 77 anos, que teve a Naskar transferida para seu nome. A Polícia Civil constatou que ela tem Alzheimer e não responde por si; Douglas figura como seu representante legal. Os investigadores apuram mais de 300 pagamentos de boletos, que somam R$ 2 milhões, em nome da idosa.