
A TV Globo recebeu uma notificação extrajudicial de um estúdio após chamada feita com inteligência artificial (IA) que inseria apresentadores e atores da emissora em cenas associadas a produções de Hollywood, segundo o jornal O Dia. A peça não teve aprovação prévia para alterar as criações, exigência adotada pelos estúdios para esse tipo de uso.
O vídeo trazia Luciano Huck transformado no Hulk, personagem de “Os Vingadores”, e Marcos Mion retirando uma máscara para revelar o rosto de Tom Cruise, em alusão à franquia “Missão: Impossível”. A publicação provocou críticas nas redes sociais antes de sair do ar.
A chamada também usava referências a Zendaya, Demi Moore, Daniel Craig, Michelle Yeoh, Chris Hemsworth e Paul Rudd. Ana Maria Braga e o Louro José contracenavam com Rocket Raccoon, de “Guardiões da Galáxia”, enquanto Francesca, personagem de Nathalia Dill em “Quem Ama Cuida”, entrava em uma máquina dos “Caça-Fantasmas”.
Veja o vídeo:
Essa que é a segunda emissora mais rica do país usando ia em comercial de filme kkkkkkkkk a globo morreu pic.twitter.com/M8ec6ftSHN
— alef (@margotismo) September 3, 2026
Reformulação atinge comunicação, finanças e direitos esportivos
A notificação ocorre enquanto a companhia prepara a maior mudança em sua direção em uma década. Manuel Belmar, responsável por Finanças, Jurídico e Infraestrutura; Manuel Falcão, diretor de Marca e Comunicação Institucional; e Pedro Garcia, diretor de Direitos Esportivos, deixam suas funções.
O presidente da empresa, Paulo Marinho, convocou uma reunião com diretores para comunicar a reorganização. A expectativa é que Amauri Soares, diretor-executivo da TV e dos Estúdios Globo, assuma mais atribuições, enquanto Marinho deixe a função executiva e permaneça no conselho.
A Globo demitiu Falcão nesta quinta (3). Ele dirigia a área de Marca e Comunicação Institucional desde 2020 e trabalhava no grupo havia mais de duas décadas; sua saída ocorreu após gastos considerados excessivos com influenciadores e desgaste na relação da emissora com a imprensa.
Estudos internos apontaram piora na percepção do público sobre a marca Globo nos últimos anos. Aliados de Falcão atribuíram o resultado à polarização política no país, e não à condução da área pelo executivo.
Os resultados financeiros também pesaram nas mudanças. No primeiro semestre, as receitas ficaram estagnadas e a operação chegou ao ponto de equilíbrio, quando a receita cobre os custos sem gerar lucro ou prejuízo. O Globoplay ampliou sua base de assinantes e deixou de operar no vermelho, mas ainda não deu lucro.
Belmar e Garcia enfrentaram críticas pela decisão de não comprar todos os direitos da Copa do Mundo de 2026. A escolha deixou mais de 50 partidas com exclusividade para a CazéTV, embora a Fifa tenha oferecido à Globo os direitos dos 104 jogos no segundo semestre de 2025.
Os executivos recusaram o pacote completo sob o argumento de que a quantidade de partidas causaria uma “overdose” e cansaria o público. A avaliação não se confirmou, e a emissora reconheceu posteriormente o erro de não adquirir todos os jogos do torneio.