
A Polícia Federal afirma que o ex-governador do Rio Cláudio Castro (PL) desfez o aluguel de uma casa em Petrópolis poucos dias depois de receber uma proposta de R$ 245 mil para reformar a adega do imóvel. No distrato, assinado em 1º de abril, Castro alegou que não poderia permanecer na residência por causa de reajustes no aluguel, então fixado em R$ 3,5 mil mensais.
A apuração integra a Operação Sem Refino e investiga se Castro recebeu benefícios da Refit, por meio de terceiros, como contrapartida por favorecer interesses do empresário Ricardo Magro no governo estadual. A Procuradoria-Geral da República concluiu que o ex-governador exercia a posse de fato da casa, embora o imóvel estivesse formalmente em nome de uma empresa.
Mensagens reunidas pela PF indicam que Castro tratava a reforma da adega como “minha obra”. Em 4 de março, ele questionou o andamento dos trabalhos e autorizou a continuidade das intervenções, segundo os investigadores.
O sommelier Dionísio Chaves, responsável pelo planejamento do espaço, enviou o projeto preliminar três dias depois. O material levava o nome de “Adega Cláudio Castro”, e o então governador respondeu que havia achado a proposta “linda”.

Proposta para a adega e rescisão do aluguel
Em 31 de março, Dionísio encaminhou a proposta final de R$ 490 mil, com desconto para R$ 245 mil. Em depoimento à PF, o profissional afirmou que concedeu o abatimento porque outra equipe, ligada a Castro, já executava a parte civil da obra, como drenagem, tubulação e instalação de equipamentos de refrigeração.
No dia seguinte ao recebimento do orçamento, Castro firmou a “rescisão amigável” do contrato de locação. O vínculo existia desde outubro de 2023 e teria vigência até setembro de 2028. O documento também proibia obras que alterassem a estrutura da casa sem autorização dos proprietários.
A casa tinha como proprietária formal a Concrecasa Construções, empresa ligada, segundo a PF, ao empresário Luiz Fernando Gomes. A corporação apontou que a firma obteve R$ 355 milhões em contratos com o governo do Rio durante a gestão Castro.
Após deixar a residência em Petrópolis, Castro alugou uma cobertura na Barra da Tijuca por R$ 10 mil mensais. Dionísio disse à PF que o projeto da adega não saiu do papel por “falta de pagamento”, depois que o ex-governador deixou o imóvel.
Na busca realizada na segunda fase da Operação Sem Refino, em agosto, agentes encontraram uma embalagem de presente endereçada a Analine, ex-primeira-dama do estado, e perfis de streaming identificados como “Claudio”, “Analine” e “João Pedro” nas televisões da casa. A defesa de Castro sustenta que o imóvel era alugado, nega lavagem de dinheiro, recebimento de vantagem indevida e qualquer relação entre a residência e a Refit.