
O Conselho Superior do Ministério Público Federal decide nesta sexta-feira (25) se abre uma apuração sobre o procurador-geral da República, Paulo Gonet, por possíveis crimes relacionados ao caso Master. Os conselheiros examinarão menções ao chefe do MPF em mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no caso.
A análise envolve a atuação de Gonet nas investigações sobre o Banco Master, na prisão de Vorcaro e na condução das apurações relativas à instituição financeira. O colegiado reúne nove integrantes e enfrenta um procedimento inédito em sua história.
Os conselheiros podem arquivar as referências a Gonet ou entender que há elementos para aprofundar a apuração. Se a maioria optar pela investigação, o Conselho designará um subprocurador-geral da República para analisar os dados e verificar a eventual existência de crime.
Ao fim desse trabalho, o subprocurador apresentará um relatório ao Conselho. Caso encontre indícios de crime, ele encaminhará os fatos ao Supremo Tribunal Federal, responsável por decidir sobre uma eventual abertura de inquérito.

Foto com Vorcaro elevou críticas internas a Gonet
Desde que as primeiras menções a Gonet vieram a público, em julho, o procurador-geral vinha recebendo apoio de subprocuradores e de integrantes da base do MPF. A divulgação de uma foto dele em uma confraternização com Vorcaro, em Londres, mudou o ambiente interno e ampliou as críticas.
Na imagem, o banqueiro está sentado próximo a Gonet, que segura um charuto diante de uma mesa com copos de uísque. A foto teria sido tirada em 2024, após a participação em um evento, e o advogado Ciro Soares a enviou em junho de 2025.
Antes da revelação da foto, Gonet afirmou que não mantinha uma relação de proximidade com Vorcaro e classificou a ligação entre os dois como “brevíssima e banal”. Aliados do procurador-geral avaliam que o Conselho tende a arquivar o caso, apesar do desgaste provocado pela imagem.
A sessão será conduzida pelo vice-presidente do Conselho, o subprocurador-geral Nicolao Dino. Gonet, que preside o colegiado, não deve participar da reunião; o vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand, votará após a manifestação do relator, o subprocurador-geral Francisco Sanseverino.