Globo blinda Flávio Bolsonaro e prepara debate que vai repetir fraude de 1989

A Globo e seu candidato, Flávio Bolsonaro

A Globo caminha para realizar nesta quinta-feira (1º) um debate presidencial que corre o risco de entrar para a história da emissora pelas piores razões. Renan Santos (Missão) ficou fora da lista inicial de convidados, apesar de aparecer em terceiro lugar em levantamentos recentes.

Na pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada na terça-feira (29), por exemplo, ele tem 5,2%, atrás apenas de Lula (PT), com 45,3%, e Flávio Bolsonaro (PL), com 42,2%. Augusto Cury (Avante), com 2%, e Ronaldo Caiado (PSD), com 1,8%, estão atrás de Renan e foram convidados.

A explicação formal está no critério definido pela emissora. A Globo chamou candidatos cujos partidos elegeram pelo menos cinco parlamentares em 2022: Lula, Flávio, Caiado e Cury. Como o Missão não atende a essa exigência, Renan ficou de fora. A própria emissora, entretanto, admite a possibilidade de convidar o candidato mais bem colocado nas pesquisas caso haja ausência entre os participantes originalmente selecionados. Com Lula fora do encontro, abriu-se justamente essa possibilidade.

Renan tem sido um dos candidatos que mais confrontam Flávio Bolsonaro durante a campanha. Ele acredita que sua presença poderia levar o candidato do PL a desistir do debate. “Se eu for, o Flávio não vai. Acho que eles preferem que vá o Flávio”, diz.

A comparação com 2022 torna a decisão ainda mais difícil de defender. Naquela eleição, a Globo colocou sete presidenciáveis no estúdio, entre eles Padre Kelmon, picareta lançado pelo PTB a poucos dias da votação e que terminou o primeiro turno com apenas 0,07% dos votos. Tudo para servir de escada para Jair Bolsonaro.

Quatro anos depois, a emissora que encontrou espaço para Kelmon não encontra espaço para Renan Santos. A Globo blinda Flávio Bolsonaro. Não deu nada sobre a série de escândalos revelados pelo site PlatôBR, envolvendo orgias e outras surubas políticas, chamou de fake news a apuração de uma de suas comentaristas, Maria Cristina Fernandes, abrindo espaço para a censura promovida pelo ministro do STF André Mendonça e o colega Kassio Nunes Marques.

O PlatôBR publicou relatos e documentos relacionados a Alexandre Ferreira Dias Santini, amigo de longa data de Flávio, ex-sócio e homem de seu círculo pessoal: luxo, festas, hotéis, garostas de programas, Rolex de 300 mil reais e um suposto lobby no STF. Nada disso interessou ao time do Jornal Nacional, que costumava repercutir notas de três linhas contra o PT na época da Lava Jato.

A memória de 1989 permanece ligada à edição pilantra no JN do confronto entre Lula e Fernando Collor, episódio que se tornou uma das maiores fraudes da história da televisão brasileira, admitida por seus autores. Os Marinhos já escolheram lado e, como de hábito, é o do golpe.

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