EUA realizam exercício militar na Amazônia sob nova Doutrina Monroe de Trump

Cerca de 400 militares dos Estados Unidos, Peru, Argentina e Chile participaram, pela primeira vez, de um exercício conjunto na Amazônia peruana. Realizado sob o comando de forças norte-americanas, o treinamento foi apresentado pelo Pentágono como parte da preparação para “dissuadir e responder a ameaças à segurança no Hemisfério Ocidental”, expressão adotada pelo governo Donald Trump para justificar a ampliação da presença militar dos EUA na América Latina.

Batizada de Southern Vanguard 2026, a operação ocorreu entre 7 e 18 de setembro em Sauce, na região de San Martín. As imagens foram divulgadas nesta semana pelo Comando Sul dos Estados Unidos. A movimentação foi revelada nesta quarta-feira (30) pelo jornalista Jamil Chade, do ICL Notícias.

Durante duas semanas, as tropas realizaram travessias aquáticas, deslocamentos em mata fechada, técnicas de sobrevivência e operações combinadas. A etapa final reuniu os quatro exércitos em três dias de simulações de combate na selva amazônica.

O treinamento envolveu a 5ª Brigada de Proteção da Selva Amazônica do Peru e integrantes da 82ª Divisão Aerotransportada dos Estados Unidos, unidade preparada para deslocamentos rápidos a diferentes partes do mundo.

Nas redes sociais, o Comando Sul afirmou que os militares foram treinados para “combater e vencer na selva”. Segundo a corporação, a operação buscou reforçar a capacidade dos governos aliados de Washington para atuar diante de supostas ameaças à segurança do continente.

O Pentágono declarou que a Southern Vanguard permite às forças participantes aprimorar a prontidão e a coordenação por meio de operações que simulam situações reais no “terreno complexo e desafiador da Selva Amazônica”. O Peru recebeu o exercício pela primeira vez.

“Recrutar e expandir”

Antes mesmo do início do exercício, o Exército dos Estados Unidos já havia informado que o treinamento fazia parte da estratégia definida por Trump para ampliar a atuação norte-americana na América Latina.

Em comunicado publicado em maio, a força informou que a operação estava alinhada aos objetivos estabelecidos pela Casa Branca para o chamado Hemisfério Ocidental.

O coronel Jared Koelling, então diretor de Treinamento e Exercícios do Exército Sul dos EUA, definiu a orientação de Washington pelas palavras “recrutar e expandir”. A proposta consiste em arregimentar governos aliados e ampliar sua participação em operações dirigidas pelos Estados Unidos, sob justificativas como migração, narcotráfico e segurança de fronteiras, portos e rotas marítimas.

Criada como uma atividade bilateral entre Estados Unidos e Chile, a Southern Vanguard passou a contar com militares da Argentina e do Peru em 2025. A expansão acompanha o esforço de Trump para integrar governos latino-americanos à estrutura militar de Washington.

Os quatro países envolvidos no treinamento também integram o Escudo das Américas, iniciativa lançada pelo governo norte-americano para aumentar sua influência militar na região.

Doutrina Monroe

A presença de tropas dos Estados Unidos na Amazônia ocorre em meio à retomada oficial da Doutrina Monroe, formulada no século 19 e usada historicamente para sustentar intervenções, golpes e ingerências de Washington na América Latina.

Quatro dias depois do encerramento do exercício na Amazônia, Trump reforçou essa política em discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas. O presidente afirmou que poderá recorrer ao poder militar sempre que Washington considerar ameaçados seus interesses no continente.

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