
O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), detonou André Mendonça nesta quinta-feira (17) e acusou o colega de usar a exposição do procurador-geral da República, Paulo Gonet, para obter dividendos políticos. Em texto publicado no X, Gilmar comparou a atuação do relator do caso Master às práticas adotadas durante a Lava Jato e chamou Mendonça de “pixuleco eleitoral”.
O ponto central da manifestação é a divulgação de conversas envolvendo Gonet. Para Gilmar, o procurador-geral teve sua reputação atingida mesmo sem haver, segundo ele, qualquer indício de ilegalidade em sua conduta. “Ninguém desfaz manchete com reparo tardio em plenário”, escreveu.
A crítica se refere à sessão de terça-feira (15), quando Gonet se manifestou no plenário e Mendonça afirmou não haver acusação de prática criminosa contra o chefe da Procuradoria-Geral da República. Gilmar questiona justamente por que as mensagens foram expostas se, posteriormente, o próprio relator reconheceu a inexistência de ilícito atribuído ao procurador-geral.
“Quem atesta a honra de alguém só depois de tê-la arrastado pela praça pública não está corrigindo um erro: está confessando que ele era evitável”, escreveu nesta quinta, ressaltando as críticas de terça.
ainda estou impactado que o Gilmar Mendes meteu um VAI CHORAR É pro André Mendonça em pleno STF pic.twitter.com/AMEExHab8t
— William De Lucca (@delucca) September 15, 2026
Gilmar também voltou suas críticas para a divulgação, por Mendonça, de um vídeo agradecendo manifestações de apoio recebidas após decisões no caso. Na avaliação do decano, a publicação reforçaria sua acusação de que existe interesse político na condução do processo.
“Quem age assim não é magistrado imparcial: é boneco de campanha, um pixuleco eleitoral”, disparou. A acusação de finalidade político-eleitoral é de Gilmar e foi rejeitada por Mendonça durante o confronto entre os dois ministros no plenário.
O decano traçou ainda um paralelo com a Operação Lava Jato. Segundo ele, Sergio Moro e Deltan Dallagnol transformaram “vazamento seletivo em método”, criando repercussão pública antes que os casos fossem julgados.
🇧🇷 Gilmar Mendes chama André Mendonça de “pixuleco” e “boneco eleitoral”. pic.twitter.com/HmReHjclsr
— Eixo Político (@eixopolitico) September 15, 2026
Na comparação feita por Gilmar, a exposição serviria para produzir previamente uma condenação perante a opinião pública, enfraquecendo a presunção de inocência e o direito de defesa.
Ele também relacionou o episódio ao calendário eleitoral. Gilmar afirmou que, assim como ocorria em momentos da Lava Jato, a divulgação aconteceu em período politicamente sensível, às vésperas do 7 de Setembro. Para o ministro, o objetivo seria “inflar as ruas, arrancar dividendos políticos, sujar reputações e intimidar quem se opõe a esse método”.
“Instituição séria respeita o devido processo desde o primeiro ato”, concluiu Gilmar, antes de declarar “integral solidariedade” a Gonet.
Paulo Gonet, Procurador-Geral da República, tem reputação ilibada e vida pública de lisura insuspeita. Isso nunca foi objeto de disputa: é reconhecido em todos os espectros, por quem concorda e por quem discorda dele. Mesmo assim, teve a honra injustamente manchada pelo…
— Gilmar Mendes (@gilmarmendes) September 17, 2026