Trump quis obrigar Brasil a liberar “dissidentes políticos” nas eleições; entenda

Donald Trump, presidente dos EUA. Foto: reprodução

O governo de Donald Trump exigiu que o Brasil se comprometesse a não deter, prender ou limitar “arbitrariamente” a participação de “dissidentes políticos” nas eleições presidenciais de 2026, durante negociações abertas após o tarifaço imposto pelos Estados Unidos. A condição constava de uma proposta enviada a negociadores brasileiros em outubro de 2025.

O documento estabelecia que o Brasil deveria realizar eleições “livres e justas” e trazia a seguinte exigência: “O Brasil se compromete a realizar eleições presidenciais livres e justas em 2026 e não deterá, prenderá nem limitará arbitrariamente, de qualquer outra forma, a participação de dissidentes políticos no processo eleitoral”.

Integrantes do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) interpretaram que a demanda se referia ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 27 anos e três meses de prisão pela trama golpista, Bolsonaro também está inelegível até 2030 por decisão do Tribunal Superior Eleitoral em ação por abuso de poder político.

Trump e Jair Bolsonaro. Foto: reprodução

Chanceler classificou documento como “inaceitável”

Os Estados Unidos entregaram a proposta em 16 de outubro de 2025 à missão brasileira em Washington, liderada pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Segundo diplomatas que participaram das discussões, Vieira determinou que a equipe comunicasse aos estadunidenses que o texto era “inaceitável” e não deveria integrar as reuniões formais daquele dia.

Vieira se reuniu reservadamente com o secretário de Estado, Marco Rubio, e depois participou de um encontro ampliado com Jamieson Greer, representante comercial dos EUA, além de integrantes da Casa Branca e do Departamento de Estado. O comunicado conjunto divulgado após as conversas citou comércio e temas bilaterais, sem referência às exigências político-institucionais.

Além da cláusula eleitoral, a lista americana pediu que o Brasil não aplicasse multas, bloqueios de bens, prisões ou outras punições contra cidadãos, residentes e empresas dos EUA por condutas protegidas pela Primeira Emenda da Constituição americana. O texto também cobrou regras para remoção de conteúdo em redes sociais e garantias de recurso para plataformas digitais.

Outra demanda prévia que o Brasil não penalizasse instituições financeiras nacionais por cumprirem sanções impostas pelos Estados Unidos. À época, a Lei Magnitsky havia alcançado o ministro Alexandre de Moraes, sua mulher, a advogada Viviane Barci de Moraes, e o instituto Lex, ligado à família do magistrado.

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