
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva refutou as acusações de Donald Trump de que o Brasil falhou no combate ao crime organizado. A resposta, nesta quinta-feira (17), cita a aprovação da Lei Antifacção, operações que causaram prejuízos bilionários ao narcotráfico e propostas de cooperação entregues por Lula em Washington que ainda aguardam resposta da Casa Branca.
Na última quarta-feira (16), Trump criticou a atuação brasileira contra o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) em uma determinação sobre a política dos Estados Unidos de combate ao tráfico internacional de drogas. O documento encaminhado ao Congresso estadunidense defende que Brasília adote medidas “agressivas” contra as facções.
O presidente dos Estados Unidos afirmou que o Brasil precisa confrontar e derrotar os grupos antes que eles se espalhem e ampliem sua atuação. O texto classifica as facções brasileiras como organizações terroristas internacionais e atribui a elas uma ameaça à segurança mundial.
Na manifestação do Ministério da Justiça, o governo brasileiro sustentou que mantém ações contra as organizações criminosas e o narcotráfico. A pasta também ressaltou que Lula apresentou formalmente aos Estados Unidos uma proposta de cooperação na área, sem retorno da administração Trump até agora.

Documento dos EUA e reação da diplomacia brasileira
A determinação da Casa Branca trata do ano fiscal de 2027 e integra os documentos enviados ao Congresso dos Estados Unidos para definir recursos e prioridades no enfrentamento aos narcóticos. Trump escreveu que as facções teriam transformado o Brasil em um “hub para os fluxos globais de cocaína”.
O documento usa critérios previstos no Ato de Emergência Estrangeira de 1961, que considera fatores geográficos, comerciais e econômicos associados à produção, ao trânsito de drogas e à circulação de componentes químicos. Esses parâmetros podem alcançar países que adotam ações de combate ao tráfico quando seus territórios têm relevância nas rotas de substâncias ilícitas.
A diplomacia brasileira avaliou que as críticas têm caráter circunstancial e não criam, por si só, sanções econômicas ou comerciais automáticas contra o país na legislação dos Estados Unidos. A relação estadunidense reúne 23 países e inclui nomes como Afeganistão, Bolívia, China, Índia, México e Venezuela.
Durante um comício perto de Brasília, Lula também acusou o ex-deputado Eduardo Bolsonaro de tramar contra o Brasil em parceria com o irmão Flávio Bolsonaro. A fala ocorreu em meio ao embate político provocado pelas acusações de Trump sobre o combate brasileiro às facções.