
O Ministério Público de São Paulo afirma que ao menos 12 das 22 empresas que operam o transporte coletivo da capital paulista são, em tese, controladas direta ou indiretamente pelo PCC. A informação embasa a operação deflagrada nesta quinta-feira (17) para investigar a infiltração da facção em contratos públicos, estruturas da saúde e articulações políticas.
A ação cumpriu mandados de prisão contra investigados, entre eles o ex-presidente da SPTrans Levi dos Santos Oliveira. Também foram presos Júlio Salvador Filho, Claudionor Aparecido Sabino Tomaz, Carla de Paula Muller, Edivania Arruda Botelho Alves, André Cassali, José Ronaldo Alves de Sales, Edson Antonio de Souza e Danilo Marco Morgado Silva, candidato a deputado estadual pelo PL-SP.
O ex-vereador Milton Leite (União Brasil-SP) figura entre os alvos de mandado de prisão. Relatos de policiais militares enviados à Justiça apontam o político como dono de fato da Transwolff, empresa que as investigações associam ao esquema de infiltração no sistema de ônibus.

Investigação apura financiamento de campanhas em 2024
Os investigadores também apuram a participação do PCC no financiamento de campanhas para prefeito e vereador nas eleições de 2024. O Ministério Público encontrou referências às campanhas de Danilo Morgado e de José Ronaldo Alves de Sales em diálogos extraídos de celulares apreendidos.
A operação ainda mira três advogados, um candidato a deputado estadual e outras pessoas que, segundo a apuração, atuavam na estrutura atribuída à organização criminosa. O inquérito aponta uso de pessoas interpostas e empresas para movimentar recursos e disputar contratos públicos.
Levi dos Santos Oliveira trabalhou na Prefeitura de São Paulo e presidiu a SPTrans, empresa pública responsável pela gestão do transporte coletivo municipal. A presença do ex-dirigente entre os alvos amplia a apuração sobre possíveis conexões entre empresários do setor, agentes públicos e integrantes da facção.
A Prefeitura de São Paulo declarou que colabora com o Ministério Público e fornece documentos e esclarecimentos. A administração municipal afirmou que interveio na Transwolff em abril de 2024 e, na mesma ocasião, determinou intervenção na UPBus por iniciativa própria.
Milton Leite negou estar foragido e disse que está viajando. “Estou em viagem, não estou foragido, e vou me apresentar às autoridades em até 24 horas. Vou provar minha inocência em todas as acusações”, afirmou. As defesas dos demais citados ainda eram procuradas.