Por: Adilson Araújo, presidente da CTB
A crise geopolítica gerada pela queda de influência dos Estados Unidos e pela política externa problemática do governo Trump traz à tona a importância da proteção da soberania nacional no cenário político brasileiro.
Os Estados Unidos veem a América Latina e o Caribe como uma extensão de seu território, quase como um quintal. Essa visão colonialista foi expressa repetidamente por integrantes do governo de direita, cuja presunção parece aumentar à medida que a ordem imperialista liderada por Washington entra em declínio.
Ofensiva colonialista
O sequestro do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e a intensificação do bloqueio econômico ilegal imposto a Cuba são exemplos extremos da atual ofensiva imperialista contra as nações e povos da América Latina. O Brasil também é uma das vítimas dessa situação.
Nosso país já sofreu um aumento de tarifas injusto e controverso imposto por Donald Trump. No fim, essa ação se revelou prejudicial, elevando os custos dos alimentos e causando danos a diversas empresas, o que levou o atual presidente dos EUA a recuar.
Recentemente, foi reportada a expulsão de um agente da Polícia Federal, que estava atrás do golpista foragido Alexandre Ramalho. Como observou o presidente, Lula, trata-se de mais uma ingerência abusiva e inaceitável do imperialismo em questões internas que devem ser resolvidas de forma exclusivamente brasileira. O Palácio do Planalto anunciou que recorrerá à Lei da Reciprocidade e merece total apoio de nossa população. O Brasil não é um quintal e não cabe em quintal algum.
Quinta coluna
É crucial reagir com determinação e proteger a dignidade nacional a qualquer custo.
O problema é que o inimigo não é apenas externo. Infelizmente, os EUA contam com uma quinta coluna traiçoeira e cínica, presente em partidos de extrema direita e em setores da direita, assim como na mídia burguesa, que sofre de um complexo de vira-lata.
Não é a primeira vez que os imperialistas americanos interferem nas questões políticas internas do Brasil. Eles estiveram por trás do golpe militar de 1964, treinaram os generais em técnicas de tortura e impuseram a reversão da lei das remessas de juros proposta por João Goulart, além de interferirem nos sindicatos e restringirem o salário mínimo, entre outras atrocidades.
Eles também deixaram suas marcas no golpe de 2016, que foi precedido por uma intensa espionagem sobre a presidente Dilma e outros membros de seu governo, assim como sobre a Petrobras e o debate em torno de outras empresas. A articulação de Washington com o Lawfare promovido pela Lava Jato, em conluio criminoso com as Organizações Globo da família Marinho, foi uma peça chave do golpe. Os golpistas desmantelaram e flexibilizaram direitos trabalhistas e enfraqueceram o movimento sindical.
Sempre que os imperialistas de Washington se imiscuem na política interna de outros países, com a ajuda da quinta coluna, os resultados tendem a ser desfavoráveis aos interesses da nação e do povo.
A hipocrisia do Clã
No nosso caso, é importante destacar o papel da hipocrisia. Os traidores da pátria reunidos no Clã Bolsonaro, como o candidato Flávio Bolsonaro, que prometeu entregar riquezas minerais como terras raras aos EUA, se apresentam de forma cínica como patriotas, armados com fake news para enganar a população.
Na realidade, eles são o que o famoso compositor mineiro Geraldo Pereira descreveu em uma de suas belas músicas como “falsos patriotas”.
Em defesa da soberania, dos interesses e da dignidade nacional, é essencial alertar e mobilizar nossa classe trabalhadora contra as ameaças do imperialismo e, ao mesmo tempo, denunciar e desmascarar a ação traiçoeira e criminosa dos falsos patriotas, reiterando nossa solidariedade a Cuba e Venezuela.
Chega de imperialismo. Todo respeito à autodeterminação dos povos e nações.