A multinacional que trocou a Argentina de Milei pelo Brasil de Lula

Whirlpool Corporation em Rio Claro (SP). Foto: reprodução

A Whirlpool, multinacional responsável pelas marcas Brastemp e Consul, oficializou nesta semana a transferência integral de sua produção da Argentina, país governado pelo anarcocapitalista Javier Milei, para o Brasil, de Lula. A medida encerra as atividades fabris da unidade de Pilar, na província de Buenos Aires, e consolida o complexo de Rio Claro, no interior de São Paulo, como principal centro manufatureiro do grupo para a América do Sul.

Segundo a Gazeta do Povo, essa decisão foi aprovada pelo Conselho de Administração da companhia e reforça o peso da operação brasileira na estratégia regional da empresa.

Para concluir a mudança, a Whirlpool no Brasil comprou ativos industriais da filial argentina avaliados em US$ 36,7 milhões, o equivalente a cerca de R$ 194,1 milhões no momento da transação. Com isso, a estrutura paulista passa a concentrar a produção antes distribuída entre os dois países.

A escolha pelo Brasil ocorre em um ambiente de estímulos fiscais oferecidos pelo governo de São Paulo ao setor de linha branca. Entre os incentivos estão a redução da base de cálculo do ICMS para 7% na fabricação de produtos como máquinas de lavar, fogões e geladeiras, além do diferimento do imposto na compra de insumos e da desoneração de importações de matérias-primas sem similar nacional. Esse conjunto de medidas reduz o custo de produção e aumenta a competitividade da indústria instalada no estado.

Fábrica da Whirlpool. Foto: reprodução

Na Argentina, o fechamento da fábrica acontece em meio a uma forte mudança no mercado de eletrodomésticos. Inaugurada em outubro de 2022, com investimento de US$ 52 milhões, a unidade de Pilar foi criada em um contexto de economia mais protegida e tinha meta de fabricar 300 mil máquinas de lavar por ano, com 70% desse volume destinado à exportação. Esse cenário, porém, mudou no fim de 2023.

A redução do imposto de importação de eletrodomésticos de 35% para 20% abriu espaço para a entrada massiva de produtos asiáticos.

Segundo relatos de industriais à imprensa local, o número de máquinas de lavar automáticas importadas saltou de cinco mil para 87 mil unidades por mês. Sem conseguir competir em preço, a fábrica de Pilar viu sua produção diária cair de um pico de 600 unidades para cerca de 400 antes da paralisação.

Com o encerramento da produção, a filial argentina da Whirlpool seguirá apenas como importadora e distribuidora comercial. A operação manterá entre 100 e 120 funcionários nas áreas administrativa e de vendas. Já o impacto social do fechamento foi sentido no fim do ano passado, quando, segundo a União Operária Metalúrgica, 220 empregados diretos perderam seus postos de trabalho.

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