
O senador Flávio Bolsonaro transformou sua passagem pela Agrishow desta segunda-feira (27), em Ribeirão Preto, num ato explícito de pré-campanha — e, de quebra, colocou o governador Tarcísio de Freitas no devido lugar dentro da hierarquia bolsonarista.
Diante de uma plateia que o saudava como “presidente”, Flávio fez questão de marcar território, com o falso elogio que se dá um cachorro leal. “Eu não teria alguém melhor aqui em São Paulo para caminhar ao lado, o Tarcísio. Uma pessoa que tem plena capacidade de ser presidente deste Brasil. E, se Deus quiser, ainda vai ser um dia, Tarcísio, porque o Brasil merece uma pessoa como você comandando também este país”, disse o senador.
Tarcísio, por sua vez, vestiu o figurino esperado. Disse que Flávio será presidente já no próximo ano e exaltou sua trajetória ao lado de Jair Bolsonaro, hoje em prisão domiciliar. Falou em “virada de chave” e reforçou o discurso de união da direita, desde que sob comando da família.
Flávio Bolsonaro, elogia Tarcísio de Freitas e diz:
"Uma pessoa que tem sim, capacidade de ser presidente da república"
Estes dois nomes farão história juntos em defesa da democracia e da liberdade no Brasil. #AgriShow pic.twitter.com/iX2tJcAmiM
— O Lendário Coringa Opressor (ZV)🃏 (@Opressor__ZV) April 27, 2026
O evento, principal feira agrícola do país, virou palanque contra o governo Luiz Inácio Lula da Silva. Flávio atacou a nova linha de crédito de R$ 10 bilhões anunciada por Geraldo Alckmin, classificando-a como insuficiente. Aliados foram além: chamaram o programa de “crédito fantasma” e acusaram o Planalto de desprezar o agronegócio.
Em janeiro, às vésperas de um encontro de Tarcísio com Bolsonaro, Flávio avisou publicamente que o governador ouviria elogios pelo trabalho em São Paulo, mas tratou de enquadrar: a reeleição estadual seria “fundamental” para a estratégia nacional de derrotar o PT.
Em seguida, fechou a porta sem rodeios: uma candidatura presidencial de Tarcísio estava “descartada”.
O cerco ficou ainda mais explícito com Eduardo Bolsonaro, que passou 2025 atacando o governador no mesmo tom que usa contra Lula. Disse que Tarcísio era “um desconhecido” antes de virar ministro e que sua eleição só aconteceu graças a Bolsonaro. Mais do que isso: deixou no ar o preço da desobediência: se tentar voar solo, pode acabar politicamente destruído, à moda de João Doria.
Fraco de caráter, Tarcísio recuou em público. Nas redes, anunciou sua capitulação política: confirmou pré-candidatura à reeleição em São Paulo e prometeu lealdade total a Bolsonaro, a quem disse ser “grato” e fiel. Na prática, aceitou o roteiro imposto.
No bolsonarismo, o futuro até pode existir. Mas, como Flávio fez questão de lembrar, ele tem dono, prazo e autorização prévia.