O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) reagiu com irritação ao ser questionado sobre a apresentação dos contratos do filme Dark Horse, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A cobrança ocorre três meses após o parlamentar ter prometido dar transparência aos acordos firmados entre a produtora Go Up Entertainment e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
O questionamento foi feito na noite desta segunda-feira (24), após evento na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Indagado sobre prazos e documentos, o senador declarou que a prestação de contas já consta nos autos de uma apuração em curso na Polícia Civil de São Paulo e rebatizou o caso como “relação privada“.
“Não houve recuo nenhum. Eu vi a prestação de contas no G1. Dá um Google vocês no G1. A prestação de contas tá lá na matéria do G1 dizendo que a produtora gastou mais até que recebeu de investimento [de Daniel Vorcaro]. A prestação de contas foi feita dentro da investigação que está acontecendo em São Paulo e a própria imprensa vazou. Da minha parte eu digo, não sou eu que tenho que prestar conta, é o Lula, porque fez reuniãozinha escondida com Augusto Lima e o Vorcaro“, disse Flávio Bolsonaro.
Perícia privada e questionamento documental
O documento citado pelo candidato refere-se a um laudo pericial encomendado e anexado pela empresária Karina Ferreira da Gama, proprietária da Go Up Entertainment, ao inquérito paulista. No relatório, a produtora alega gastos de R$ 75,1 milhões na produção, sendo US$ 13,39 milhões (R$ 54 milhões) aplicados no exterior e R$ 20,9 milhões no Brasil. O levantamento, no entanto, não reuniu notas fiscais ou recibos que comprovem as despesas e a origem dos repasses.
Karina também é investigada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo em razão de um contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo para instalação de pontos de wi-fi. O convênio foi assinado via ONG Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade sediada no mesmo endereço da produtora do filme. A investigação busca apurar se verbas públicas da capital foram desviadas para financiar a obra cinematográfica.
Pressionado sobre a falta de detalhamento das transferências do Banco Master para o projeto, o senador voltou a rebater os repórteres de forma ríspida:
“Gente, olha só, vocês vão parar no tempo? O Brasil tá lambendo em chamas, todo mundo endividado, Brasil quebrado… e vocês querem insistir com uma relação privada, de um filme privado que não tem partilha pública de nada? Não adianta, vocês não vão me colocar na mesma página pública desse cara. Não vão me colocar. Hoje o governo Lula é que deve explicações. Vão cobrar explicações dele“, afirmou.
Sem apresentar provas durante a entrevista, Flávio sustentou acusações contra o presidente Lula, familiares e integrantes do governo federal, associando-os a articulações em favor do Banco Master.