Comunistas de Austrália, Reino Unido e EUA se unem contra cerco militar à China

Os partidos comunistas da Austrália, do Reino Unido e dos Estados Unidos anunciaram uma campanha internacional contra o AUKUS, aliança militar formada pelos governos dos três países sob liderança de Washington. A iniciativa foi anunciada em nota conjunta divulgada em 11 de agosto, após uma reunião das organizações em Havana, Cuba.

“O AUKUS é um pacto militar ofensivo liderado pelos Estados Unidos. Seu objetivo é proteger as ambições imperialistas dos Estados Unidos, da Grã-Bretanha e da Austrália na região da Ásia-Pacífico”, afirmam os partidos.

“O AUKUS não atende aos interesses dos povos de nossos países. Pelo contrário, atende aos interesses do capitalismo monopolista nos países da aliança, que investe cada vez mais na maximização dos lucros por meio do complexo industrial-militar”, prossegue a declaração.

Criado em 2021, o AUKUS é uma das principais peças da estratégia dos Estados Unidos para reforçar sua presença militar na Ásia-Pacífico diante da ascensão da China. 

O acordo prevê que a Austrália opere submarinos de propulsão nuclear e aprofunda a integração militar entre Canberra, Washington e Londres em tecnologias como inteligência artificial, sistemas autônomos, guerra eletrônica e capacidades submarinas.

A aliança insere a Austrália na estrutura militar construída pelos Estados Unidos no Indo-Pacífico em um momento de acirramento da disputa com Pequim. 

A China denuncia o AUKUS desde sua criação e acusa Washington, Londres e Canberra de estimular uma corrida armamentista, aumentar o risco de proliferação nuclear e comprometer a estabilidade regional.

É contra essa militarização que os três partidos comunistas pretendem construir uma frente comum dentro dos próprios países que integram o pacto. 

A reunião em Havana foi a segunda realizada pelas organizações especificamente para discutir uma atuação conjunta contra o AUKUS. A primeira ocorreu em setembro de 2021, logo após o anúncio da aliança.

Na declaração, os partidos afirmam que desde então atuam em campanhas nacionais contra o acordo e defendem que a oposição ao AUKUS avance entre sindicatos, organizações da classe trabalhadora e movimentos pela paz, antinucleares e antiguerra.

Dinheiro para armas

Outro eixo da campanha é a disputa sobre os bilhões destinados ao aparato militar. Os comunistas acusam os governos de apresentar a expansão da indústria armamentista como uma alternativa para a criação de empregos em economias marcadas pela perda de postos de trabalho e pela queda dos salários.

A Austrália deverá gastar entre 268 bilhões e 368 bilhões de dólares australianos (R$988 bilhões a R$1,36 trilhão) com o programa de submarinos nucleares até 2055, segundo os valores citados na declaração. 

Para os partidos, esses recursos poderiam financiar saúde, educação, habitação, infraestrutura, pesquisa e outros serviços públicos e gerar mais empregos do que a indústria militar.

“Rejeitamos a fantasia do keynesianismo militar, que está tornando o mundo um lugar mais perigoso justamente quando esforços internacionais são mais necessários do que nunca para impedir que nosso planeta continue queimando à medida que o clima entra em colapso”, afirmam.

O termo “keynesianismo militar” é usado para descrever a utilização dos gastos do Estado com armas, Forças Armadas e indústria de defesa como instrumento de estímulo à atividade econômica e à geração de empregos. 

Os partidos contrapõem essa política ao investimento público em setores que atendam diretamente às necessidades da população.

A declaração afirma que empregos em saúde, educação, habitação e infraestrutura oferecem uma alternativa à expansão do complexo industrial-militar e vinculam essa disputa à defesa do que os partidos chamam de segurança “social, coletiva e humana”.

“Somente o socialismo oferece respostas para a crise causada pelo imperialismo e pela guerra. O pacto AUKUS é um sintoma do declínio imperial dos Estados Unidos e do Ocidente”, afirmam.

Campanha chega aos sindicatos

A partir da reunião de Havana, os três partidos pretendem ampliar a articulação contra o AUKUS entre sindicatos, movimentos antiguerra e organizações da classe trabalhadora na Austrália, no Reino Unido e nos Estados Unidos.

A campanha terá como próximo marco o fim de semana mundial de mobilização contra o militarismo e o recrutamento, marcado para 21 e 22 de novembro. A iniciativa foi convocada durante o Encontro Internacional Contra a Guerra, realizado em junho, em Londres, com a participação de ativistas pela paz de 27 países.

“Convocamos os comunistas e ativistas pela paz de nossos países a fazer da exigência pelo fim do AUKUS um tema central desse fim de semana mundial de mobilização contra o militarismo e o recrutamento militar”, afirmam.

Antes das manifestações, os partidos também pretendem buscar apoio entre organizações da classe trabalhadora. “Nossos partidos farão uma convocação conjunta e uma apresentação sobre a campanha pelo fim do AUKUS, buscando construir apoio entre sindicalistas, ativistas antiguerra e o movimento organizado da classe trabalhadora”, diz a nota.

Artigo Anterior

Impacto do novo mínimo é analisado por estados e municípios

Próximo Artigo

Primeira turma de Filosofia do PRONERA começa no assentamento Terra Vista, na Bahia

Escrever um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter por e-mail para receber as últimas publicações diretamente na sua caixa de entrada.
Não enviaremos spam!