Financiadora de “Dark Horse” atuava no nicho de lavagem de dinheiro, diz MP

Identidade visual da EntrePay
Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro. Foto: Reprodução

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) apontou que o Grupo Entre, responsável por transferir recursos para o financiamento do filme “Dark Horse”, se especializou na lavagem de capitais para diferentes grupos criminosos, segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

Em representação, o Gaeco afirma que o conglomerado liderado por Antônio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro, teria explorado economicamente “o nicho de mercado da lavagem de capitais de grupos criminosos”. Para os investigadores, existe uma “convergência” entre organizações que utilizariam os serviços das empresas do grupo.

A Entre Investimentos e Participações, que integra o Grupo Entre, transferiu US$ 12,3 milhões (cerca de R$ 65 milhões) ao fundo americano Havengate Development Fund.

A GoUp descreve o fundo como responsável direto pelo financiamento de “Dark Horse”, e as transferências foram combinadas entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.

A investigação não cita o filme no documento que embasou a operação, mas trata o Grupo Entre como possível entreposto para a fraude apurada nesta etapa da Carbono Oculto. Mineiro fechou acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) em agosto; não há informação sobre eventual relação do acordo com os fatos investigados pelo Gaeco.

Jim Caviezel interpreta Jair Bolsonaro em “Dark Horse” . Foto: Reprodução

Operações com seguros e prêmios de loteria entram na apuração

A Superintendência de Seguros Privados (Susep) enviou 19 comunicações sobre movimentações atribuídas a ele que ultrapassam R$ 4,3 milhões. O órgão identificou operações frequentes de seguros, previdência e capitalização, com compra de apólices e resgates de valores elevados.

Em parte dessas movimentações, a Susep classificou Mineiro como cliente de risco máximo para lavagem de dinheiro e apontou incompatibilidade entre a renda declarada e o volume das operações. Entre o começo de 2020 e maio de 2025, também houve 570 comunicações que o apontavam como ganhador de prêmios de loteria, num total de R$ 176 milhões.

O Ministério Público argumenta que o Grupo Entre atuou como fachada corporativa para blindar os supostos líderes da organização investigada, Beto Louco e Mohamad Hussein Mourad, conhecido como Primo. A Entre Investimentos assumiu formalmente as cotas do fundo Celebration FIP, usado para deter o controle da Usina Itajobi.

Os investigadores afirmam que a transferência das cotas foi simulada e que o controle operacional e estratégico da usina continuou sob gestão do grupo criminoso, com atuação do advogado Rogério Garcia Peres, apontado como coordenador da estrutura financeira.

A apuração também cita um aporte de R$ 20 milhões da Entre Investimentos na conta da Usina Itajobi na Credihome SCD, valor repassado ao Fundo Radford e usado na compra da distribuidora Terrana por meio da empresa Branson Holdings.

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