FBI investiga jornalista do New York Times que fez matéria sobre namorada do diretor

A repórter Elizabeth Williamson

Uma jornalista do New York Times, Elizabeth Williamson, recebeu uma informação indicando que Alexis Wilkins, cantora country e namorada do diretor do FBI, Kash Patel, teria acesso a segurança de alto nível e transportes fornecidos pelo governo dos Estados Unidos.

A jornalista seguiu essa pista, conversando com Wilkins e pessoas próximas a ela, para escrever a matéria — procedimento normal. No entanto, para o FBI, a atitude da jornalista justificou uma investigação, sendo rotulada como uma “perseguição” à namorada de Patel — embora a investigação tenha sido interrompida posteriormente.

A história, revelada pelo próprio Times, tomou proporções muito maiores do que uma investigação jornalística comum. O FBI decidiu investigar a jornalista, vasculhou informações sobre ela e recomendou uma investigação mais aprofundada para apurar se ela teria violado leis federais, como explicou o jornal.

O diretor do FBI, Kash Patel, a cantora country Alexis Wilkins, e o presidente dos EUA, Donald Trump, na Casa Branca

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos, no entanto, expressou preocupação com as intenções do FBI, considerando a investigação uma retaliação à jornalista, uma vez que ela havia publicado um artigo que Patel e sua namorada não aprovaram. O Departamento concluiu que não havia fundamentos legais para dar continuidade à investigação.

Em resposta, o FBI justificou a investigação, afirmando que seus agentes estavam “preocupados com o fato de as técnicas agressivas de reportagem estarem ultrapassando a linha da perseguição”. Contudo, a justificativa não teve sucesso.

O New York Times se posicionou contra a ação do FBI, defendendo que o “escrutínio” sobre a jornalista é um exemplo da Casa Branca tentando “criminalizar a coleta de informação jornalística de rotina”, o que é protegido pela Primeira Emenda da Constituição dos EUA, que garante, entre outras liberdades, a liberdade de imprensa e de expressão.

Joseph Kahn, diretor executivo do jornal, criticou a tentativa do FBI de “criminalizar” práticas jornalísticas: “É uma violação flagrante dos direitos garantidos a Elizabeth pela Primeira Emenda e mais uma tentativa desta administração de impedir que jornalistas a scrutinizem. Isso é alarmante, inconstitucional e errado.”

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