Israel é acusado de crime de guerra após morte de jornalista libanesa em operação de cobertura

A repórter Amal Khalil. Foto: Reprodução

O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, responsabilizou Israel por crimes de guerra após um ataque aéreo no sul do Líbano que resultou na morte de uma jornalista e deixou outra gravemente ferida.

A jornalista libanesa Amal Khalil, que atuava no jornal Al Akhbar, faleceu enquanto estava em atividade, conforme informações da Agência Nacional de Notícias do Líbano (NNA). Ela é a quarta jornalista a perder a vida no país em decorrência de ações israelenses desde março.

A segunda vítima foi identificada como Zeinab Faraj, uma fotógrafa freelancer que sofreu ferimentos graves. O Al Akhbar é conhecido por sua postura editorial alinhada à esquerda e sua conexão com o grupo Hezbollah.
Ambas as jornalistas estavam se abrigando durante uma série de bombardeios na cidade de Tayri, no sul do Líbano, quando o edifício em que se encontravam foi atingido.

Autoridades do Líbano também acusaram as forças israelenses de tentarem dificultar o resgate das feridas. De acordo com a NNA, equipes da Cruz Vermelha conseguiram retirar Faraj sob “fogo hostil” até um hospital. O ataque resultou em outras fatalidades.

Em uma postagem na rede X, Nawaf Salam declarou que “atacar jornalistas e obstruir o acesso de equipes de resgate, seguido de novos ataques contra essas equipes, configura crimes de guerra”. Ele ressaltou que os ataques a profissionais da imprensa deixaram de ser casos isolados, tornando-se “um padrão recorrente que condenamos”.

As Forças Armadas de Israel admitiram que duas jornalistas ficaram feridas, mas negaram ter como alvo a imprensa. Afirmaram ainda que buscam minimizar danos a civis enquanto garantem a segurança de suas tropas.
Israel também refutou a acusação de bloquear o acesso de equipes de resgate e informou que o caso está sendo investigado.

De acordo com os militares, tropas no sul do Líbano identificaram dois veículos provenientes de uma estrutura que, segundo Israel, seria utilizada pelo Hezbollah. Os ocupantes teriam se aproximado de maneira considerada ameaçadora, levando ao ataque contra um dos veículos e contra o prédio onde os indivíduos se refugiaram.

Os bombardeios ocorreram em meio a um frágil cessar-fogo entre Israel e o Líbano, estabelecido para interromper os confrontos com o Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã. Uma nova rodada de negociações diretas entre autoridades dos dois países está agendada para quinta-feira em Washington.

A ofensiva gerou reações de organizações internacionais, incluindo a Organização das Nações Unidas e o Committee to Protect Journalists (CPJ).

A diretora regional do CPJ, Sara Qudah, afirmou que a organização responsabiliza Israel por colocar em risco a vida de Amal Khalil e pelos ferimentos de Zeinab Faraj após o ataque direcionado.
Segundo o CPJ, Israel foi responsável por cerca de dois terços das mortes de jornalistas e trabalhadores da mídia registradas em 2025.

No início do mês, especialistas da ONU solicitaram uma investigação internacional independente após o Exército israelense ter matado três repórteres no Líbano, incluindo um que trabalhava para um canal vinculado ao Hezbollah.

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