
O ex-vereador Milton Leite (União Brasil), que presidiu quatro vezes a Câmara Municipal de São Paulo, é alvo da Operação Vectura Corrupta, deflagrada nesta quinta-feira (17) pela Polícia Civil e pelo Ministério Público. A investigação apura a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no poder público e no sistema de transporte coletivo da capital paulista.
As autoridades cumprem 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão na terceira fase do caso. A etapa atual mira o controle financeiro e operacional que a facção teria exercido sobre empresas de ônibus da cidade. Bolsonarista, Leite atuou como aliado do prefeito Ricardo Nunes (MDB) na capital e do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Os investigadores apontam indícios de fraudes sistemáticas em licitações envolvendo 12 empresas de transporte. A apuração busca identificar como o grupo teria atuado para influenciar a operação dessas companhias.
Outra frente da operação investiga a chamada “sintonia dos gravatas”, descrita como um núcleo de advogados que atuaria diretamente em crimes e na legitimação de interesses da organização criminosa.

Investigação alcança ex-servidores e campanhas eleitorais
A terceira fase também aponta o envolvimento de ex-servidores do alto escalão da Prefeitura de São Paulo. Os investigadores identificaram ainda um candidato a deputado e ex-candidato a prefeito cuja campanha eleitoral teria recebido recursos do crime organizado.
Milton Leite deixou a vida pública no ano passado, após sete mandatos como vereador. Ele comanda atualmente o União Brasil em São Paulo e, em julho, assumiu a presidência estadual da Federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas (PP).
A apuração começou em agosto de 2024, na Operação Decurio, depois da apreensão de 30 quilos de drogas em Itaquaquecetuba. Dados extraídos do celular da mulher de um dos líderes do PCC levaram à identificação e à prisão de chefes da chamada “Sintonia Final”, além de revelarem indícios sobre o braço político da facção.
Em abril de 2026, a Operação Contaminatio avançou sobre uma fintech administrada pela organização criminosa, que teria sido usada para buscar contratos com prefeituras e gerenciar recebimentos de tributos e taxas. A investigação atribui à empresa movimentação de cerca de R$ 8 bilhões e, naquela etapa, prendeu um ex-vereador de Santo André.