
A Polícia Federal atribui a Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, a elaboração de carteiras de crédito consideradas fraudulentas e posteriormente repassadas ao BRB, banco público do Distrito Federal. Segundo a investigação, o BRB comprou R$ 12,2 bilhões em Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) classificadas como falsas, e uma auditoria citada pelos investigadores estimou prejuízo de ao menos R$ 5 bilhões. Com informações da Folha de S.Paulo.
A representação da PF afirma que, a partir de janeiro de 2025, as carteiras “aparentemente, passaram a ser elaboradas pelo próprio Augusto Lima”. O documento usa mensagens e registros de reuniões para sustentar que o empresário participava das negociações entre Master e BRB. Em maio de 2025, Lima e Henrique Peretto, apontado como controlador da consultoria Tirreno, trocaram mensagens sobre uma reunião com Paulo Henrique Costa, então presidente do BRB.
As mensagens também registram Daniel Vorcaro cobrando de Lima a liberação urgente de carteiras para o banco público. Em uma das conversas, Vorcaro diz que o BRB ainda não havia selecionado a carteira; Lima responde que o ativo era “bom”, mas que o banco queria apenas a parte “premium”. A PF afirma que Vorcaro recorria a Lima para que ele interviesse junto ao BRB e buscasse a liberação de pagamentos ao Master.

Os investigadores também relacionaram essas tratativas a pagamentos do Master para a Terra Firme, empresa controlada por Lima. Uma nota fiscal de agosto de 2024 tinha valor de R$ 3,66 milhões. Em abril de 2025, outras duas cobranças somaram cerca de R$ 7 milhões. Para a PF, repasses superiores a R$ 3 milhões coincidiram, em diferentes momentos, com intervenções atribuídas a Lima para a liberação de recursos pelo BRB.
Documentos reunidos na investigação indicam que o próprio BRB já havia identificado problemas nas carteiras em novembro de 2024. Em uma operação ligada ao Credcesta, uma carteira com valor contábil de R$ 179,6 milhões teve apenas R$ 110 milhões considerados aptos, redução de quase 40%. A PF afirma que o episódio já apontava inconsistências no material enviado pelo Master.
Lima foi preso em novembro de 2025 na Operação Compliance Zero, ao lado de Vorcaro e outros executivos, sob suspeita de participação nas fraudes envolvendo as carteiras. Ele foi solto 11 dias depois e passou a usar tornozeleira eletrônica. A representação tornada pública buscava autorização para a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados e o aprofundamento das apurações.
A defesa de Augusto Lima rejeita as acusações e afirma que ele não participou da negociação de carteiras com o BRB, não prestou informações falsas ao Banco Central e não tratou com órgãos de fiscalização sobre essas operações. Também sustenta que Lima deixou a sociedade e a direção do Master em 28 de maio de 2024 e que os pagamentos recebidos pela Terra Firme decorriam de contratos regulares por serviços efetivamente prestados.