
Os ex-secretários Felipe Curi (PP), da Polícia Civil, e Marcelo de Menezes (PL), da Polícia Militar, elegeram-se para cargos legislativos no Rio de Janeiro depois de comandarem a Operação Contenção, ação que deixou 122 mortos nos complexos do Alemão e da Penha, em 2025.
Curi conquistou uma cadeira na Câmara dos Deputados com 133.626 votos. Menezes recebeu 46,7 mil votos e garantiu uma vaga na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).
A operação ocorreu em outubro de 2025, durante o governo de Claudio Castro. O balanço apontou cinco policiais mortos e 117 suspeitos de envolvimento com o crime organizado, tornando a ação a mais letal da história do estado.
Os dois ex-secretários apoiam Douglas Ruas, candidato ao governo fluminense que disputará o segundo turno contra o prefeito Eduardo Paes, caso o Tribunal Superior Eleitoral mantenha o resultado da eleição.
Número de urna de Curi foi associado ao total de mortos
Nos bastidores da campanha, aliados e integrantes da área de segurança associaram o número de urna de Curi, 1122, ao total de mortos na operação: 122 pessoas. O número reunia os algarismos usados pelo então secretário na disputa eleitoral.
O delegado Bernardo Leal (PP), outro nome da Polícia Civil, também se elegeu para a Alerj, com 57.254 votos. Ele ganhou projeção após sofrer ferimentos graves em uma operação no Complexo do Alemão, em 2025.

Leal levou tiros de fuzil durante a ação e teve uma perna amputada. Na campanha, apareceu ao lado de Curi, que havia comandado a Polícia Civil no governo Castro.
Na Operação Contenção, cerca de 2,5 mil policiais atuaram contra o Comando Vermelho. Menezes afirmou que a estratégia criou um “Muro do Bope” na Serra da Misericórdia para empurrar criminosos em direção à área de mata, enquanto outras equipes avançavam pelas comunidades.
Curi apresentou o balanço que também registrou 113 prisões, 33 delas de pessoas de outros estados. O governo classificou a operação como um “sucesso”, enquanto moradores encontraram corpos na área de mata após os confrontos.