Os dados apurados pelo Tribunal Superior Eleitoral no primeiro turno das eleições gerais de 2026, em 4 de outubro, mostram um contingente expressivo do eleitorado que não escolheu nem Lula nem Flávio Bolsonaro para a Presidência da República, seja porque não compareceu às urnas, ou porque optou pelo voto branco ou nulo.
Flávio surpreendeu e largou na frente com 56,1 milhões de votos (47% dos votos válidos), enquanto Lula ficou com 53,8 milhões de votos (45%), uma diferença de 2,3 milhões de votos. Juntos, Flávio e Lula concentraram cerca de 110 milhões de votos.
Segundo os dados do TSE, 33,4 milhões de eleitores não compareceram à votação, o equivalente a cerca de 21% de abstenções. Outros 2,3 milhões votaram em branco (1,84%), enquanto 3,67 milhões anularam o voto (2,93%). Somados, os três grupos chegam a 39.404.471 eleitores que preferiram não participar do pleito.
Esses votos não podem ser classificados como um bloco de oposição aos dois candidatos à presidência: a abstenção não indica necessariamente uma escolha política, assim como o voto branco ou nulo pode ter motivações distintas. Para o TSE, brancos e nulos não são considerados votos válidos e não são destinados a nenhum candidato. Já a abstenção corresponde simplesmente à ausência do eleitor na votação.
A dimensão desse eleitorado ganha relevância diante do segundo turno, marcado para 25 de outubro. Com apenas dois candidatos na disputa, parte desse contingente que ficou alheio às eleições no primeiro turno poderá decidir comparecer e escolher um dos nomes, o que fará a diferença para os candidatos.