
O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, foi detido na última quinta-feira (16) por ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, e decidiu reformular sua equipe de defesa. As informações são do O Globo.
Visando estabelecer um acordo de colaboração premiada, ele resolveu substituir o advogado Cléber Lopes, que deixará a defesa para que Eugênio Aragão, em parceria com o criminalista Davi Tangerino, assuma o caso.
Essa mudança foi motivada, conforme fontes, pelo fato de Lopes também representar o ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), o que pode acarretar um conflito de interesses, visto que Ibaneis é um dos potenciais alvos da delação de Costa.
Ambos estão implicados no escândalo relacionado à venda de carteiras fraudulentas do banco Master ao BRB e na tentativa de aquisição do banco de Daniel Vorcaro pelo banco estatal de Brasília. O caso, que envolve figuras proeminentes do setor financeiro e político, está recebendo crescente atenção da mídia.
A alteração na defesa de Costa segue uma estratégia similar à de Vorcaro, proprietário do banco Master, que também fez alterações em sua equipe jurídica após sua prisão em março deste ano.
Vorcaro está em tratativas para um acordo de colaboração com a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR), sendo considerado um dos principais alvos da investigação sobre a venda das carteiras fraudulentas ao BRB. Portanto, Costa busca se adiantar em relação a ele para assegurar um acordo de delação premiada.

Conforme informações obtidas por meio da investigação, Costa está ansioso para finalizar o acordo, uma vez que o dono do banco Master é considerado uma peça fundamental. Se ele fechar seu acordo de delação antes, será mais complicado para Costa apresentar informações suficientemente relevantes que garantam uma redução de pena ou vantagens na negociação com as autoridades.
O ex-presidente do BRB é acusado pela Polícia Federal de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, em decorrência de propinas recebidas do Banco Master em troca de benefícios na aprovação de aquisições de carteiras fraudulentas. Durante as investigações, a PF localizou seis imóveis de alto valor que teriam sido entregues como pagamento de propina.
Essas propriedades, situadas em São Paulo e Brasília, estão avaliadas em R$ 146 milhões. Segundo os investigadores, R$ 74,6 milhões foram efetivamente pagos, enquanto o restante não foi quitado devido ao vazamento da investigação sigilosa.
A decisão que resultou na detenção de Costa, emitida por Mendonça, caracteriza o ex-presidente do BRB como um “mandatário” de Vorcaro dentro do banco estatal de Brasília, recebendo imóveis de luxo em troca de sua colaboração.
Os imóveis entregues a ele foram selecionados com base em critérios pessoais e familiares e negociados diretamente com o proprietário do Banco Master e com o advogado Daniel Monteiro, que também foi preso durante a operação.
A ordem de Mendonça detalha que Costa esteve diretamente envolvido no processo de aquisição, validando e supervisionando a compra dos imóveis, e chegou a expressar preocupação com a falta de documentação formal.
Adicionalmente, foi revelado que ele possuía uma dívida significativa com o BRB, totalizando R$ 1,9 milhão, no momento em que recebeu os imóveis como parte do pagamento pela facilitação das aquisições fraudulentas. A dívida inclui empréstimos com desconto na folha, crédito consignado e encargos de cartão de crédito e cheque especial.