O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, deu passos decisivos para a formalização de um acordo de colaboração premiada no âmbito da Operação Compliance Zero. O executivo promoveu uma troca na equipe jurídica e solicitou transferência de unidade prisional para facilitar as tratativas com a Polícia Federal. O movimento ocorre simultaneamente ao julgamento da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), que analisa a manutenção de sua prisão preventiva em plenário virtual.
A investigação concentra-se sobre um vultoso esquema de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo a aquisição, pelo BRB, de carteiras de crédito do Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro. As operações, avaliadas em R$ 12,2 bilhões, são consideradas fraudulentas pelos investigadores. Até o momento, a PF já determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 29 bilhões e efetuou 14 prisões, incluindo as de Costa e Vorcaro.
Acusações de propina e fraude bilionária
Conforme relatórios da Polícia Federal e informações apuradas junto à Procuradoria-Geral da República (PGR), Paulo Henrique Costa é suspeito de ter pactuado o recebimento de propina em troca de facilitar a entrada das carteiras podres no balanço do banco público brasiliense. O suposto acordo envolveria seis imóveis de luxo, avaliados em R$ 146 milhões.
Investigadores apontam que o ex-dirigente teria atuado deliberadamente para acelerar as transações, ignorando alertas técnicos internos sobre inconsistências nas carteiras que vinham sendo apontadas desde o final de 2024. A PF descreve a atuação como um mecanismo de “uso do cargo para direcionamento de recursos” em benefício de interesses privados, configurando graves crimes financeiros.
Mudança de estratégia e movimentações recentes
A alteração no rumo da defesa ficou evidente na segunda-feira (21), com a saída do advogado Cleber Lopes. O criminalista Davi Tangerino é apontado como o novo responsável por conduzir as negociações de delação. Na terça-feira (22), surgiram as primeiras informações de que Costa pretendia buscar uma transferência de custódia para negociar diretamente com os agentes federais, pedido que foi formalizado na quarta-feira (23).
A expectativa nos bastidores jurídicos é de que a eventual colaboração de Costa possa detalhar a cadeia de comando dentro do esquema bancário, além de possíveis conexões com agentes públicos e a estrutura de influência política do Distrito Federal, incluíndo a relação com o ex-governador Ibaneis Rocha, de quem é apadrinhado político. Os investigadores buscam elementos relevantes para compreender o contexto institucional em que as decisões foram tomadas, especialmente no que diz respeito à compra de carteiras de crédito posteriormente classificadas como podres.
Embora Ibaneis Rocha não figure, até o momento, como investigado formal na Operação Compliance Zero, uma eventual colaboração premiada de Costa pode lançar luz sobre o grau de conhecimento, influência ou eventual omissão nas operações financeiras sob apuração.