
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), cobrou nesta quinta-feira (15) que a população faça sua parte no enfrentamento às chuvas e condicionou a eficácia das medidas de prevenção à resposta dos cidadãos. A declaração ocorreu no Palácio dos Bandeirantes, um dia depois do temporal que deixou veículos submersos, provocou transtornos no transporte e causou a morte de uma mulher na capital paulista.
“Nada adianta você investir em prevenção, nada adianta você emitir alerta”, afirmou o governador. Ao mencionar treinamento e sistemas de sirenes, acrescentou que essas medidas não adiantam “se as pessoas não acreditarem, se o cidadão não fizer a sua parte”. Na sequência, reconheceu que o enfrentamento aos desastres envolve o Estado, os municípios e as defesas civis municipais, além dos moradores.
A prevenção também integra as atribuições do governo estadual. A Política Nacional de Proteção e Defesa Civil determina que os estados coordenem ações em articulação com os municípios e a União, monitorem áreas de risco e apoiem planos de contingência e protocolos de prevenção. A participação dos moradores faz parte desse sistema, ao lado das obrigações dos governos.
Tarcísio fala que falta do cidadão fazer a parte dele para evitar desastres como o de ontem, que deixou carros alagados e centenas de paulistas no prejuízo. pic.twitter.com/s06PfAIzJL
— deok (@lauricadeok) October 16, 2026
Ao comentar a inundação no Túnel do Anhangabaú, Tarcísio apontou uma medida que dependia do poder público: a interdição preventiva da passagem. “Ontem houve alerta, mas o túnel do Anhangabaú não foi fechado. Tinha que ter sido”, declarou. Segundo ele, mesmo com bombas em funcionamento, o volume de água pode superar a capacidade de escoamento da estrutura.
O túnel é administrado pela Prefeitura de São Paulo, comandada por Ricardo Nunes (MDB), aliado do governador. Durante o temporal, 26 carros e dois ônibus ficaram submersos no local. A CET informou que iniciou as interdições às 15h38. Segundo a administração municipal, as seis bombas funcionaram, mas não conseguiram dar vazão à água. Foram registrados 42 milímetros de chuva em aproximadamente 40 minutos na região.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), criticou nesta quinta-feira (15) o não fechamento do túnel do Anhangabaú durante a forte chuva que atingiu a capital na quarta (14). O local ficou inundado e deixou carros boiando e pessoas ilhadas. Tarcísio deu a… pic.twitter.com/WNE7fE6g9l
— Folha de S.Paulo (@folha) October 15, 2026
A cobrança de Tarcísio à população ocorre um dia depois de sua participação em um palanque com Flávio Bolsonaro em Porto Alegre. O governador apareceu dançando ao lado do candidato durante o ato eleitoral. Na mesma data, São Paulo enfrentou alagamentos e a entrada de água em acessos de estações do Metrô, serviço sob responsabilidade estadual.
A Secretaria estadual de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística informou que será apurado por que o Túnel do Anhangabaú não foi fechado antes da inundação. Durante o evento, Tarcísio também defendeu que a população leve as previsões a sério e afirmou que interdições podem causar transtornos, mas são necessárias para evitar acidentes.
Na mesma ocasião, o governo anunciou um plano que prevê R$ 29 bilhões em investimentos até 2029, distribuídos em 181 iniciativas de prevenção e adaptação às mudanças climáticas. Entre as medidas anunciadas estão obras de reservatórios, desassoreamento de rios e córregos e reforço do monitoramento. A gestão também informou a antecipação da operação São Paulo Sempre Alerta, de dezembro para outubro.