Em entrevista à jornalista Renata, candidato à reeleição reconhece responsabilidade pelo desempenho eleitoral, admite ter repreendido o diretor-geral da PF por ida a festa de Vorcaro e afirma que denúncias envolvendo ministros do Supremo precisam ser investigadas
O Presidente Lula afirmou que pretende discutir uma nova reforma do Poder Judiciário, com mudanças nos critérios de escolha dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e a adoção de mandatos para os integrantes da Corte. Em entrevista à jornalista Renata, durante a campanha eleitoral, ele também declarou ser favorável à redução da maioridade penal para 16 anos nos casos de crimes hediondos, embora tenha defendido que o tema seja tratado separadamente da proposta de emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública.
A conversa abordou ainda as investigações envolvendo o Banco Master, a relação do governo com o Congresso Nacional, as pressões dos Estados Unidos sobre o Brasil, o endividamento das famílias, os juros, o custo da energia elétrica e as dificuldades de acesso a consultas especializadas e cirurgias pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Ao avaliar o cenário eleitoral, Lula assumiu a responsabilidade pelo desempenho de seu governo e atribuiu parte das dificuldades à incapacidade de comunicar à população os resultados alcançados desde o início do mandato.
Lula assume responsabilidade pelo desempenho eleitoral
Questionado sobre a desvantagem eleitoral e a rejeição enfrentada por seu governo ao longo do ano, Lula reconheceu que a responsabilidade pelo quadro é sua. Segundo ele, o governo não conseguiu fazer com que uma parcela suficiente da população compreendesse as medidas adotadas desde 2023.
“Tudo é responsabilidade minha, Renata. Veja, eu sou governo. Então, se eu não conseguir ser compreendido pela sociedade brasileira sobre o governo que eu fiz, eu não posso ficar jogando a culpa em ninguém. Eu tenho que jogar a culpa em mim”, declarou.
O Presidente Lula argumentou que o terceiro mandato começou em condições diferentes das encontradas durante seus governos anteriores. Ele recordou que, ao voltar à Presidência, precisou enfrentar o que descreveu como a desmontagem de estruturas e políticas públicas, além de dificuldades orçamentárias que exigiram medidas de transição antes mesmo da posse.
Na avaliação do presidente, a população teria comparado os resultados do atual governo com o período de crescimento econômico registrado no fim de seu segundo mandato, em 2010. Naquele ano, o Brasil era a sétima maior economia do mundo, e o país havia registrado crescimento econômico de 7,5%, segundo os números mencionados por Lula.
“Eu só lamento que eu não tenha tido a capacidade de fazer o povo compreender as coisas que eu fiz, porque foram muitas coisas e, por mais que a gente faça aqui no Brasil, sempre tem que fazer mais”, afirmou.
Ao ser questionado sobre a necessidade de ampliar sua base política para um eventual novo mandato, Lula contestou a avaliação de que teria governado sem uma frente ampla. Ele lembrou que o PT elegeu 70 deputados federais e nove senadores, mas sustentou que o governo conseguiu aprovar a maior parte de suas propostas por meio de negociações com outras siglas.
O presidente citou a reforma tributária, aprovada após décadas de tentativas, e afirmou que partidos como PP, União Brasil, PSD e MDB participaram de seu ministério. Reconheceu, entretanto, que a composição de uma base parlamentar depende de negociações distintas das alianças eleitorais.
“Uma coisa são as eleições que você disputa, mas, quando você ganha, você precisa pensar na governabilidade e precisa construir um bloco que te dê sustentação no Congresso Nacional”, declarou.
Relação com Trump e pressão dos Estados Unidos
Lula afirmou que pretende continuar negociando com o governo de Donald Trump para enfrentar as tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos. O presidente descreveu sua relação com o republicano como civilizada, apesar das divergências e das medidas tarifárias adotadas por Washington.
Segundo Lula, os dois tiveram três reuniões e mantiveram conversas telefônicas. Ele também informou que representantes brasileiros dos ministérios da Indústria e Comércio e das Relações Exteriores estavam negociando com os norte-americanos.
“Eu acho que a minha relação com Trump foi a relação mais civilizada que eu acho que ele já teve com outro presidente da República”, afirmou.
O presidente argumentou que a política comercial brasileira não depende exclusivamente do mercado norte-americano. Ele citou o crescimento das relações comerciais com China, Indonésia, Alemanha e Vietnã como exemplos da diversificação dos parceiros do país.
Lula declarou que não pretende recorrer imediatamente à lei da reciprocidade, mas afirmou que o governo poderá adotá-la caso as negociações não produzam resultados satisfatórios.
“Eu não fiz a lei da reciprocidade, não quero fazer, eu quero continuar negociando, mas, se for necessário fazer, nós vamos fazer”, disse.
Ao tratar da influência dos Estados Unidos na América do Sul, o presidente também defendeu a preservação da autonomia brasileira nas decisões sobre segurança pública e combate ao crime organizado.
Segurança pública e redução da maioridade penal
Na entrevista, Lula voltou a defender a ampliação da participação do governo federal na segurança pública. Ele argumentou que a Constituição atribuiu aos estados responsabilidades importantes nessa área e que a PEC apresentada pelo Executivo busca estabelecer uma atuação mais coordenada da União.
O presidente anunciou que pretende criar um Ministério da Segurança Pública caso seja reeleito, além de definir atribuições para a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal e a polícia penal. Também mencionou o financiamento de 138 presídios em todo o país, com a finalidade de impedir que lideranças criminosas continuem comandando atividades ilegais de dentro das unidades prisionais.
“Foi preso, não é para telefonar”, declarou, ao defender o isolamento de integrantes de facções que mantêm o controle de atividades criminosas mesmo durante o cumprimento de penas.
Lula também afirmou que a estratégia deve alcançar as condições cotidianas de segurança das comunidades. Segundo ele, o governo pretende combater o domínio territorial de organizações criminosas que interferem em serviços e na vida dos moradores, inclusive no acesso a benefícios sociais e na comercialização de produtos essenciais.
Sobre a classificação de facções brasileiras como organizações terroristas pelos Estados Unidos, o presidente argumentou que o enquadramento jurídico norte-americano não corresponde à natureza dos grupos criminosos que atuam no Brasil. Ele reconheceu a violência praticada por organizações como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho, mas defendeu uma resposta baseada na legislação brasileira e na experiência das forças de segurança nacionais.
Lula também foi questionado sobre a proposta de redução da maioridade penal de 18 para 16 anos em casos de crimes hediondos, apresentada pelo senador Camilo Santana durante a discussão da PEC da Segurança Pública.
Depois de uma primeira resposta que gerou dúvidas sobre sua posição, o presidente esclareceu que é favorável à redução para 16 anos nesses casos, mas defendeu que a mudança seja discutida em outro momento, sem ser incorporada à proposta de segurança pública em tramitação.
“Eu sou favorável a reduzir para 16, mas não discutido nessa PEC, porque essa PEC não é para discutir isso”, afirmou.
Lula acrescentou que a prioridade, naquele momento, deveria ser a aprovação da PEC e que a questão da maioridade penal poderia ser debatida posteriormente.
Crise do Banco Master e suspeitas envolvendo ministros do STF
A crise envolvendo o Banco Master e seu controlador, Daniel Vorcaro, ocupou parte significativa da entrevista. Lula afirmou que todas as denúncias precisam ser investigadas, independentemente de quem esteja envolvido, e defendeu que eventuais responsáveis sejam punidos.
Ao ser questionado sobre a possibilidade de o desgaste do Supremo ter prejudicado seu desempenho eleitoral, o presidente disse não ter elementos para estabelecer essa relação. Também criticou o que considera uma tentativa da extrema direita de associar o governo às suspeitas envolvendo integrantes da Corte.
Durante a conversa, Lula foi confrontado com a atuação do ministro Flávio Dino, indicado por ele ao STF, que pediu vista em um procedimento relacionado à apuração de condutas de ministros. O presidente afirmou que não tem competência para interferir nas decisões judiciais e explicou que, segundo seu entendimento, Dino buscou permitir que os casos fossem examinados conjuntamente.
O presidente, porém, defendeu que a investigação das denúncias avance sem proteção a autoridades.
“Não é possível imaginar que a sociedade brasileira vai aceitar que não seja apurado tudo e sobre tudo e que não fique pedra sobre pedra e que se puna quem precisar punir”, declarou.
Lula afirmou que conversou três vezes com o presidente do STF, Edson Fachin, sobre a necessidade de apurar as suspeitas. Também sustentou que a crise deverá abrir uma discussão sobre mudanças no funcionamento do Judiciário.
Entre as propostas mencionadas estão a adoção de mandatos para ministros do Supremo e a revisão dos critérios de escolha dos integrantes da Corte. O presidente também levantou a necessidade de discutir regras para situações em que magistrados mantenham vínculos profissionais ou interesses relacionados a processos julgados pelo tribunal.
“Quem quiser ser rico não pode ser ministro da Suprema Corte. Ali é um sacerdócio, alguém vai para prestar o serviço à nação brasileira e cumprir a nossa Constituição”, afirmou.
Lula disse que pretende constituir uma comissão de especialistas para discutir uma proposta de reforma, caso seja reeleito. Segundo ele, as denúncias envolvendo o Banco Master tornaram o debate sobre a conduta de integrantes do Judiciário uma questão que não poderá ser ignorada no próximo ano.
Lula admite ter repreendido diretor-geral da Polícia Federal
O presidente também foi questionado sobre a presença do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, em uma festa de Daniel Vorcaro em Londres, quando já havia procedimentos relacionados ao Banco Master em andamento.
Lula negou que Rodrigues seja seu aliado pessoal e afirmou que o escolheu para comandar a PF em razão de seu trabalho. Apesar disso, disse que não considerou adequada a participação do delegado no evento.
“Quando eu fiquei sabendo que ele tem ido a Londres, eu chamei ele a atenção de que o papel do diretor da Polícia Federal não permite que ele tivesse ido a Londres”, declarou.
Segundo Lula, a explicação apresentada por Rodrigues não foi convincente. O presidente afirmou que o diretor não precisava ter comparecido à festa e que também alertou o ministro da Justiça sobre o episódio.
Apesar da reprimenda, Lula elogiou o trabalho do diretor-geral da PF. Questionado se pretende mantê-lo no cargo em um eventual novo mandato, evitou assumir um compromisso.
“Primeiro eu preciso ganhar as eleições. Quando eu ganhar as eleições, eu vou sentar e vou montar o time outra vez”, afirmou.
Encontro com Daniel Vorcaro no Planalto
Lula também explicou por que recebeu Daniel Vorcaro no Palácio do Planalto, em dezembro de 2024. Na ocasião, o banqueiro foi apresentado ao presidente pelo ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, que trabalhava para o Banco Master.
A jornalista observou que Vorcaro já era alvo de procedimentos no Banco Central e de um inquérito da Polícia Federal em São Paulo. Questionado sobre a possibilidade de a PF ter informado previamente o presidente a respeito das suspeitas, Lula afirmou que recebe empresários e representantes de instituições que procuram o governo para relatar problemas.
O presidente sustentou que cabe ao Banco Central avaliar tecnicamente a situação das instituições financeiras, sem interferência política.
“O cidadão me procurou para dizer: ‘Estão me perseguindo politicamente’. E eu disse o seguinte: ‘Você não vai ser perseguido, você vai ser investigado’”, relatou.
Segundo Lula, a orientação transmitida ao banqueiro foi a de que eventuais irregularidades deveriam ser apuradas. Ele afirmou que o Banco Central adotou os procedimentos técnicos necessários e que o banco acabou sendo fechado.
A entrevista também abordou a situação do ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski. A jornalista questionou Lula sobre a manutenção de um contrato entre o escritório de advocacia de familiares do ex-ministro e Daniel Vorcaro, apesar de Lewandowski ter assumido o comando do Ministério da Justiça, responsável pela estrutura da Polícia Federal.
Lula elogiou a atuação de Lewandowski no ministério, mas afirmou que não acompanha as atividades profissionais de todas as pessoas que convida para o governo. Defendeu o cumprimento das regras de quarentena aplicáveis a ex-ocupantes de cargos públicos e disse que eventuais irregularidades precisam ser investigadas.
O presidente voltou a defender mudanças nas regras éticas da administração pública e afirmou que as denúncias devem servir de base para uma revisão dos mecanismos de controle e prevenção de conflitos de interesse.
Bolsa Família: reajuste ocorreu após cobrança do presidente
Ao tratar das medidas econômicas anunciadas durante o ano eleitoral, Lula foi questionado sobre o reajuste do Bolsa Família, divulgado pouco antes do primeiro turno. A jornalista observou que a proposta de orçamento para 2027, enviada pelo governo ao Congresso em 31 de agosto, não previa a correção do benefício.
O presidente afirmou que não sabia que o reajuste não havia sido incluído e disse ter cobrado explicações da equipe responsável.
“Eu não sabia porque é inexplicável, Renata. É inexplicável que, no governo do Lula, alguém pense não reajustar a inflação no salário das pessoas”, declarou.
Segundo Lula, a decisão foi tomada depois que ele soube da ausência de correção e recebeu informações sobre a existência de espaço fiscal para a medida.
O presidente argumentou que o governo apresentou uma proposta orçamentária com previsão de superávit primário de 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB), embora tenha reconhecido que o percentual é pequeno. A jornalista contrapôs que instituições fiscais independentes questionam as projeções de receita usadas para sustentar o resultado previsto.
Desenrola e endividamento das famílias
Lula afirmou que o governo pretende ampliar as medidas para enfrentar o endividamento das famílias brasileiras. Ao comentar os programas Desenrola, o presidente reconheceu que as iniciativas anteriores não resolveram o problema de forma definitiva.
Segundo ele, uma nova proposta prevê a compra de dívidas com descontos elevados, com o objetivo de permitir que pessoas inadimplentes regularizem sua situação financeira. Lula mencionou a possibilidade de movimentar até R$ 150 bilhões nessa operação, com a União adquirindo débitos por uma fração de seu valor original.
A medida, conforme explicou, dependeria da aprovação de uma proposta que estava em tramitação na Câmara dos Deputados.
O presidente também citou uma iniciativa para perdoar dívidas de microempreendedores individuais (MEIs) com a União. Ele afirmou que o governo identificou R$ 12,7 bilhões em débitos inscritos na dívida ativa que dificilmente seriam recuperados e que a inadimplência impede muitos pequenos empreendedores de retomar suas atividades.
Lula mencionou ainda a possibilidade de oferecer uma garantia de crédito de R$ 5 mil para quem regularizar a situação, como forma de estimular novos negócios.
A jornalista questionou se o governo dispõe de uma estratégia capaz de conter a retomada da inadimplência depois das renegociações. Lula respondeu que a recuperação da atividade econômica e o acesso ao crédito são fundamentais para ampliar a renda e permitir que as famílias cumpram seus compromissos.
Juros, dívida pública e divergências econômicas
A entrevista também expôs divergências entre Lula e setores do pensamento econômico sobre a relação entre crescimento, juros e equilíbrio fiscal. Questionado sobre declarações do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, a respeito dos limites do modelo de crescimento baseado no consumo, Lula defendeu que a expansão da economia é o principal caminho para melhorar os indicadores fiscais.
O presidente afirmou que não pretende transferir aos mais pobres o custo do ajuste das contas públicas. Para sustentar sua posição, recordou os resultados econômicos de seus primeiros mandatos, quando o Brasil ampliou reservas internacionais e quitou sua dívida com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
“Dinheiro na mão de poucos é pobreza e pouco dinheiro na mão de muitos é riqueza”, afirmou.
Lula defendeu políticas de microcrédito, apoio aos microempreendedores e estímulo ao consumo como instrumentos para distribuir renda e movimentar a economia. Também argumentou que a dívida pública deve ser analisada de acordo com a finalidade dos gastos, diferenciando despesas que ampliam a capacidade produtiva do país de outras formas de endividamento.
A jornalista observou que a dívida pública cresceu durante o atual governo e que economistas de diferentes correntes consideram preocupante sua trajetória. Lula reconheceu a importância de manter o controle orçamentário, mas reafirmou sua oposição a cortes que reduzam recursos destinados à população de baixa renda.
Energia elétrica e custo de vida
Sobre o aumento das tarifas de energia elétrica, Lula atribuiu parte do problema à privatização da Eletrobras e afirmou que a transferência de ativos públicos ao setor privado reduziu a capacidade de controle do governo sobre o setor.
O presidente disse que pretende aproveitar a disponibilidade de energia brasileira para atrair investimentos em centros de processamento de dados e em novas matrizes energéticas. Segundo ele, o governo trabalha para ampliar a participação do país na economia digital e na chamada economia verde.
Lula também citou mudanças no acesso ao mercado livre de energia, afirmando que a possibilidade de escolha de fornecedores poderá beneficiar consumidores que hoje pagam tarifas mais elevadas.
A entrevista não apresentou um plano detalhado para conter o aumento das tarifas no conjunto da população, mas o presidente sustentou que a expansão dos investimentos no setor poderá contribuir para o desenvolvimento econômico.
Saúde pública e filas do SUS
Na área da saúde, Lula defendeu as medidas adotadas pelo governo para ampliar o atendimento especializado e reduzir a espera por consultas, exames e cirurgias eletivas. A jornalista lembrou que o programa Mais Especialistas ainda não havia produzido uma redução significativa do tempo de espera, conforme auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU).
O presidente respondeu que o governo está ampliando o número de profissionais e retomando estruturas que, segundo ele, haviam sido desmobilizadas. Também citou a previsão de circulação de 150 unidades móveis para realização de exames, com atenção especial ao diagnóstico de câncer de mama e de colo do útero.
Lula afirmou ainda que o governo firmou parcerias com hospitais privados e Santas Casas para ampliar a oferta de serviços pelo SUS. Segundo os números apresentados por ele, o país realizou 15 milhões de cirurgias eletivas em 2025, e a expectativa para 2026 era alcançar 16 milhões.
Apesar de defender os resultados, o presidente reconheceu que ainda existem filas prolongadas e que parte dos pacientes espera anos por procedimentos.
“Falta muito”, admitiu, ao comentar os desafios para recuperar a capacidade de atendimento do sistema público de saúde.
Considerações finais
Ao encerrar a entrevista, Lula voltou a defender os resultados de seu governo e afirmou que a recuperação de políticas públicas exigiu tempo, depois do que classificou como um processo de desmonte de estruturas federais.
O presidente citou a retomada de aproximadamente 6 mil obras paralisadas nas áreas de educação e saúde, além de programas sociais e iniciativas de ampliação do acesso à energia e ao gás de cozinha.
Também defendeu a redução da jornada de trabalho associada ao fim da escala 6×1 e mencionou a possibilidade de criar um programa de transporte gratuito nos fins de semana, considerando a ampliação do tempo de descanso dos trabalhadores.
Lula concluiu afirmando que o país está no caminho certo, embora tenha reconhecido que os resultados de seu governo ainda não atenderam a todas as demandas da população.
A entrevista evidenciou os principais pontos de defesa da campanha pela reeleição: a retomada de políticas sociais, a aposta no crescimento econômico e a ampliação da atuação federal na segurança pública. Ao mesmo tempo, expôs cobranças sobre a comunicação dos resultados do governo, o controle das contas públicas e a necessidade de esclarecer as suspeitas que envolvem integrantes de instituições centrais da República.