O Brasil vai às urnas neste domingo (4) para escolher o próximo presidente da República em uma eleição que ultrapassa as fronteiras nacionais. A disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro se transformou também em um teste da influência do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a política brasileira e latino-americana.
O site norte-americano Axios destaca que o embate ainda pode produzir efeitos de longo prazo sobre a política ambiental brasileira e o futuro da Amazônia, bioma estratégico para o equilíbrio climático global.
Na quinta-feira (1º), Trump afirmou que acompanha a eleição brasileira “muito de perto” e classificou o pleito como “muito importante”, sem declarar apoio formal a nenhum dos candidatos.
A interferência norte-americana na campanha, porém, começou antes. Durante o ano, o governo Trump impôs uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros, em uma medida que Lula classificou como interferência nos assuntos internos do Brasil.
A disputa brasileira ocorre em uma conjuntura em que política interna, relações comerciais e estratégia geopolítica estão diretamente conectadas: para Washington, o Brasil é a maior economia da América Latina e um ator central nas discussões sobre comércio, segurança e meio ambiente.
Para os países da região, a escolha brasileira também pode alterar o equilíbrio político latino-americano e a relação do país com governos como os de Argentina e El Salvador.
Para além das relações com os Estados Unidos, o resultado terá impacto sobre a política ambiental brasileira, especialmente em relação à Amazônia e à exploração de combustíveis fósseis.
Amazônia também está em jogo
Outro elemento que amplia o alcance internacional da eleição é a política ambiental.
Quase 60% da floresta Amazônica está em território brasileiro. A região funciona como importante estoque de carbono e exerce papel relevante na regulação do clima, o que faz das políticas brasileiras para a floresta uma questão acompanhada por governos e instituições internacionais.
Durante o atual governo Lula, os índices de desmatamento registraram quedas significativas. Dados consolidados do Prodes, sistema de monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), apontaram 5.731 km² de desmatamento na Amazônia Legal em 2025, uma redução de 12,07% em relação a 2024.
No ciclo mais recente do Deter, entre agosto de 2025 e julho de 2026, a área sob alertas de desmatamento na Amazônia caiu 36%, para 2.874,38 km² — o menor resultado da série histórica do sistema para o período.
O programa ambiental de um eventual governo Flávio Bolsonaro, por outro lado, é associado a uma defesa de mudanças nas regras ambientais e de maior flexibilização regulatória. O candidato também declarou, em agosto, não acreditar que as mudanças climáticas sejam reais.
A disputa brasileira ocorre em uma conjuntura em que política interna, relações comerciais e estratégia geopolítica estão diretamente conectadas: para Washington, o Brasil é a maior economia da América Latina e um ator central nas discussões sobre comércio, segurança e meio ambiente.
Para os países da região, a escolha brasileira também pode alterar o equilíbrio político latino-americano e a relação do país com governos como os de Argentina e El Salvador.
Para além das relações com os Estados Unidos, o resultado terá impacto sobre a política ambiental brasileira, especialmente em relação à Amazônia e à exploração de combustíveis fósseis.