A eleição presidencial brasileira de 4 de outubro ocorre em um cenário que ultrapassa as fronteiras nacionais por conta da importância do país no equilíbrio geopolítico da América Latina por combinar peso econômico, recursos estratégicos e protagonismo nos BRICS.
Além de ser uma das dez maiores economias do mundo, o Brasil possui as segundas maiores reservas estimadas de terras raras. O país também é um importante fornecedor dos Estados Unidos e mantém a China como principal parceiro comercial desde 2009 – e essa posição coloca Brasília no centro da disputa por influência entre Washington e Pequim em uma América Latina que passa por mudanças no alinhamento de seus governos.
Como lembra a teleSUR, Brasil e Uruguai são os dois países do Cone Sul que ainda não integram o chamado Escudo das Américas, mecanismo de cooperação militar e política sob liderança norte-americana. Colômbia e Peru aderiram recentemente ao grupo.
Ao mesmo tempo, o Brasil aprofundou relações econômicas com a China. A reportagem cita crescimento de 21,9% das exportações brasileiras para o mercado chinês no primeiro semestre e destaca projetos de infraestrutura, energia, indústria e tecnologia desenvolvidos entre os dois países.
A participação brasileira nos BRICS é outro elemento central. O país participa de iniciativas do bloco em áreas como tecnologia, comércio, energia e agricultura, e possui em debate com a China um projeto para avaliar a construção de uma ferrovia ligando o Atlântico ao porto peruano de Chancay, no Pacífico.
Pressão dos EUA e recursos estratégicos
A relação com Washington, por outro lado, sofreu mudanças após a imposição de tarifas sobre produtos brasileiros. As medidas adotadas pelo governo Donald Trump chegaram a elevar as tarifas sobre parte das exportações brasileiras a 50% em 2025. Em julho, novas tarifas foram anunciadas.
A participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras caiu, no primeiro semestre, para o menor nível desde 1997 e, em resposta às medidas norte-americanas, o governo brasileiro lançou o Plano Brasil Soberano, com uma linha de crédito de R$ 30 bilhões para apoiar exportadores afetados pelas tarifas.
As terras raras são um dos principais pontos de interesse. Esses 17 elementos químicos são utilizados em veículos elétricos, equipamentos de alta potência, turbinas eólicas e tecnologias militares.
A única mina de terras raras que está em operação no Brasil é a a mina de Serra Verde, em Goiás, onde empresas norte-americanas ampliaram sua participação no empreendimento enquanto o governo dos EUA comprometeu recursos para adquirir parte da produção inicial da mina.
O Congresso brasileiro também aprovou um novo marco para minerais críticos e estratégicos, sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 16 de setembro. A legislação prevê incentivos fiscais e mecanismos de financiamento para estimular o refino local.
O petróleo acrescenta outra dimensão à disputa: o Brasil está entre os dez maiores produtores mundiais e alcançou, em julho de 2026, produção recorde de 5,85 milhões de barris equivalentes por dia, considerando petróleo e gás natural.
É nesse contexto que a teleSUR apresenta a eleição brasileira como uma disputa de alcance regional. O primeiro turno ocorrerá em 4 de outubro, com 13 candidatos à Presidência. A reportagem aponta Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro como os principais nomes da disputa.
Além da Presidência, estarão em jogo 513 cadeiras da Câmara dos Deputados e 54 das 81 vagas do Senado. A composição do Congresso será relevante para a capacidade do próximo governo de implementar suas políticas econômica e externa.
Na análise da teleSUR, o resultado brasileiro poderá influenciar o equilíbrio entre diferentes polos de poder na América Latina: a relação com os Estados Unidos, a aproximação com a China, o futuro dos BRICS e o controle de recursos considerados estratégicos. É dessa combinação que surge a expressão “fiel da balança” usada pelo veículo para definir o papel brasileiro.