
O ministro Flávio Dino pediu vista nesta terça-feira no julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre mensagens encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro e atribuídas a Alexandre de Moraes, depois de um bate-boca entre os ministros André Mendonça e Gilmar Mendes. Dino interrompeu a análise ao afirmar que não permaneceria diante do confronto no plenário.
A discussão começou após o procurador-geral da República, Paulo Gonet, responder a questionamentos sobre sua relação com Vorcaro. Gonet afirmou que Mendonça havia reconhecido não existir ilicitude nos elementos recolhidos e negou proximidade com o banqueiro.
“Eu fico feliz que o ministro André Mendonça tenha reconhecido que não tem nada de ilícito no que foi recolhido. Não tive relacionamento de proximidade com o senhor Vorcaro. O único encontro se deu com várias autoridades em abril de 2024”, disse Gonet.
O procurador-geral declarou que a única outra relação com Vorcaro ocorreu por intermédio de advogados e foi “brevíssima e banal”. Ao defender a atuação do Ministério Público, acrescentou: “Quem analisa os fatos sem viés verá que o Ministério Público foi preciso e correto.”
➡️ Mendonça se irrita e grita com Gilmar Mendes: "Me respeita" pic.twitter.com/oCU7tyu7YK
— Metrópoles (@Metropoles) September 15, 2026
Gilmar Mendes saiu em defesa de Gonet e chamou de “leviandade” as ilações dirigidas ao procurador-geral. “É impressionante, presidente, que uma pessoa da estatura do procurador-geral Paulo Gonet sofra esse tipo de ilação. Isto, sim, é leviandade”, afirmou.
André Mendonça reagiu aos gritos durante a intervenção de Gilmar Mendes. “A desfaçatez de Vossa Excelência! Eu estou sendo agredido!”, disse o ministro, que também cobrou respeito no decorrer da discussão.
Dino anunciou o pedido de vista para cessar o confronto e cobrou uma providência do presidente do STF, Edson Fachin. “Há horas, há horas, Vossa Excelência está assistindo a isto. Se Vossa Excelência vai assistir a isto, eu não vou, porque eu sou funcionário público deste país e tenho respeito a ele”, afirmou.
O ministro disse que a condução da sessão poderia prolongar a discussão no Supremo “por semanas, quiçá meses” e atribuiu a Fachin responsabilidade pelo ambiente instaurado no plenário. O pedido de vista suspende a análise do processo até a devolução do caso por Dino.