
O ministro do STF André Mendonça foi desmascarado. O desmascaramento do “terrivelmente bolsonarista” pode decidir não só a eleição, mas o destino do Brasil.
O golpe tentado por Mendonça com a destituição do diretor-geral e de inteligência da PF para paralisar a corporação e esconder os crimes de Flávio Bolsonaro foi revertido pelo contragolpe do ministro Flávio Dino.
Aquilo que até 31 de agosto eram fortes suspeitas, hoje são fatos comprovados: Mendonça atua como o Sérgio Moro desta eleição. Ambos empregam os mesmos métodos criminosos de vazamentos seletivos e manipulação de investigações contra adversários políticos para viabilizar um projeto de poder fascista e reacionário.
Contudo, as diferenças dos atos praticados por estes dois agentes da extrema-direita são significativas, e evidenciam a gravidade da cartada de Mendonça.
Diferente de Moro, ele opera a partir de uma associação mais orgânica com o Departamento de Estado dos EUA e desde a cúpula do poder judiciário, não de uma Vara provinciana da justiça federal – o que explica, em grande medida, a audácia da sua jogada de partir para o tudo ou nada.
A condenação midiática de Fábio Luís representou para Mendonça o mesmo que a farsa com o triplex no Guarujá e o sítio de Atibaia significou para Moro na eleição de 2018.
Assim como Moro, Mendonça também contou com a ajudinha da Globo para prejudicar Lula. As entrevistas no Jornal Nacional foram o clímax da estratégia jurídico-midiática para favorecer Flávio Bolsonaro.
Sob o controle do ministro-relator, avançou muito pouco a investigação sobre Daniel Vorcaro, com quem Mendonça teve pelo menos um encontro privado no seu instituto particular. E não andou um milímetro a investigação sobre Flávio Bolsonaro e o Dark Horse.
Hoje se sabe exatamente porquê: Mendonça distraiu a atenção –primeiro com Fábio Luís, depois denunciando Alexandre de Moraes– para continuar escondendo os crimes cometidos por Flávio Bolsonaro de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção.
Como genuíno bolsonarista e contumaz mentiroso, Mendonça mentiu ter levantado todos sigilos, quando na verdade liberou apenas seletivamente, mantendo escondidas as investigações sobre o candidato bolsonarista.
Apesar de Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e do PGR reclamarem ao presidente Edson Fachin que Mendonça mentia dizendo ter levantado todos sigilos, ele continuou teimosamente com sua mentira para esconder os crimes dos Bolsonaro.
Com mentiras normalizadas pela mídia hegemônica se pode destruir adversários para fraudar uma eleição, sobretudo quando o mentiroso ocupa o topo do Poder Judiciário.
O professor Muniz Sodré relembra a caracterização de Jacques Derrida, de que “o mentiroso não é mero autor de uma falsidade, pois quer impingir como verdadeiro aquilo que ele sabe ser falso. Há intenção de enganar […]. O fenômeno assume dimensão muito grave quando passa da esfera individual ao Estado, no funcionamento operativo de seus aparelhos coercitivos e ideológicos”.
O presidente Edson Fachin corretamente afastou Mendonça das relatorias dos casos Master e INSS, porém mandou paralisar as investigações. Esta medida é extremamente preocupante, pois significa, em termos práticos, continuar escondendo graves crimes de um gângster que concorre à Presidência da República, o que o favorece eleitoralmente.
O futuro do Brasil que se desenha nos próximos 21 dias até o 4 de outubro está nas mãos do STF: ou age para assegurar a sobrevivência da democracia, ou será cúmplice de um golpe para instaurar um regime autocrático de recorte reacionário e entreguista.