A coligação “Brasil Pronto para Mais”, do presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT), apresentou pedido de direito de resposta junto ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) por declarações feitas pelo adversário Flávio Bolsonaro (PL) durante a entrevista exibida após o Jornal Nacional, da TV Globo, na sexta-feira (28). Além do candidato, a ação também envolve o canal de tevê.
De acordo com a CNN Brasil, os advogados da campana argumentam que o senador fez declarações “falsas e gravemente descontextualizadas” relacionadas à eleição e à candidatura do presidente.
Foram questionados, entre outros aspectos, as falas de Flávio relativas às urnas eletrônicas, aos atos golpistas de 8 de Janeiro de 2023, à relação de Flávio com o miliciano Adriano da Nóbrega e com ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o empenho dos Bolsonaro em fazer valer o tarifaço dos Estados Unidos contra o Brasil.
Ataques em série
Flávio usou boa parte do tempo de sua entrevista para atacar o governo e Lula e para tentar desviar de si acusações graves até hoje não explicadas pelo senador. Foram mais de 30 citações diretas a Lula ou ao atual governo ao longo de 44 minutos de entrevista. O presidente, por sua vez, não citou o clã na entrevista concedida na noite anterior (27) e poucas vezes mencionou “o outro governo” ou “outras pessoas”.
Sobre um dos casos que mais pesam contra Flávio — sua relação com Vorcaro e o pagamento de R$ 60 milhões pelo ex-banqueiro para, supostamente, produzir o filme sobre Jair Bolsonaro — o senador tentou, novamente, colar o escândalo em Lula.
Ao abordar uma suposta relação do presidente com o ex-banqueiro, questionou: “Vorcaro, o que você conversou, com o presidente Lula, naquela reunião secreta que ele fez junto com o (Gabriel) Galípolo (presidente do Banco Central?”. Ele também insinuou que Lula teria se comprometido a trocar o presidente do BC para beneficiar o banco.
Além disso, Flávio declarou que o julgamento por tentativa de golpe de Estado tramada por Bolsonaro e seu entorno teria sido “uma grande farsa” para “retirá-lo da vida pública” e que seu pai teria sido julgado “por seus inimigos”. Para tentar comprovar sua tese, disse que Bolsonaro foi julgado por ministros indicados por Lula — uma prerrogativa de qualquer presidente da República.
Com relação ao tarifaço, procurou argumentar que seu irmão, Eduardo, estaria nos EUA fazendo “um trabalho de conscientização” para mostrar ao mundo que o Brasil estaria, segundo ele, “longe de ser uma democracia plena”. Na sequência, declarou que Lula teria “procurado muito essa tarifa; ele xingou, ele ameaçou…parabéns, Lula, você conseguiu tarifar as empresas brasileiras”.
Flávio também tentou culpar Lula pelo endividamento do povo afirmando que a culpa seria do atual governo que “gasta demais” e “aumenta impostos de forma alucinada”.