
A plataforma americana de previsões Kalshi baniu permanentemente o ex-deputado George Santos, ex-drag e filho de imigrantes brasileiros, após investigar suspeitas de que ele apostou contra sua própria presença em um discurso do presidente Donald Trump. A empresa afirmou que esta é a primeira expulsão definitiva aplicada a um usuário.
Ele, que é bolsonarista e apoiava o presidente Donald Trump nos Estados Unidos, já havia recebido uma multa de US$ 35 mil (cerca de R$ 179 mil) e uma proibição temporária de usar a plataforma. A punição decorreu da apuração sobre operações que teriam explorado informações que ele detinha antes de outros apostadores.
A investigação se concentrou em negociações feitas antes do discurso de Trump sobre o Estado da União, em 24 de fevereiro. Santos dizia repetidamente que participaria do evento, e a Kalshi calculava, na véspera, quase 75% de chance de que ele estivesse presente.
Minutos depois do início do discurso, o ex-deputado publicou no X que havia ficado retido no aeroporto e não conseguiria comparecer. Usuários passaram a acusá-lo de apostar na própria ausência e lucrar com uma informação que apenas ele conhecia.

Ex-deputado negou saber de investigação
A Kalshi comunicou as operações à Commodity Futures Trading Commission, órgão que supervisiona mercados de derivativos nos Estados Unidos. A agência ampliou a fiscalização sobre o possível uso de informação privilegiada em plataformas de previsões.
Em entrevista à NPR, Santos negou ter conhecimento da investigação e evitou dizer se mantinha uma conta na Kalshi. “Não estou dizendo que sim, nem dizendo que não”, afirmou ao ser questionado sobre o perfil na plataforma.
Em março, o ex-deputado comentou as acusações em seu podcast e disse que algumas pessoas perderam dinheiro nas apostas. Ele sustentou que o episódio expunha a fragilidade dos mercados de previsões.
No começo de agosto, Santos devolveu mais de US$ 17,5 mil, cerca de R$ 88,9 mil, obtidos com a fraude investigada. A Kalshi e a Polymarket afirmam que reportam negociações suspeitas às autoridades, enquanto legisladores americanos cobram medidas mais duras contra esse tipo de operação.