O Teatro Riachuelo, na Cinelândia, transformou-se nesta terça-feira (22) em um epicentro de resistência cultural e política. Sob a regência vibrante da orquestra de 14 músicos do Cordão do Boitatá, liderada por Kiko Horta, cerca de 700 pessoas participaram do “Festival Canto pela Democracia”. O evento, que durou mais de quatro horas, uniu música, arte e engajamento político em apoio à campanha de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência, tendo como foco central a arrecadação de fundos e a mobilização de votos para a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ), candidata à reeleição, além de apoiar Benedita da Silva ao Senado.

Um ato de ousadia e esperança
Para Jandira Feghali, o festival representou o ápice de uma série de encontros realizados durante a campanha. Em suas redes sociais e em entrevista concedida no local, a deputada classificou a atmosfera como “mágica” e expressou profundo entusiasmo.
“Ontem a cultura mostrou sua potência e sua consciência. Que privilégio receber tanta gente talentosa na defesa de nossa democracia!”, escreveu Feghali. Ao ser questionada sobre suas impressões ao vivo, ela respondeu sem hesitar: “Eu estou em êxtase”.
Para ela, o encontro representava a capacidade da campanha de falar diretamente com o povo sobre o Brasil desejado. “É muito honroso, é um privilégio. É a campanha que está tendo a ousadia de fazer eventos grandes, mostrando a nossa capacidade de falar para as pessoas sobre o Brasil que a gente quer”, afirmou a deputada.
Repertório de denúncia e celebração

O show transcendeu o entretenimento puro, utilizando a linguagem artística para traduzir os anseios democráticos do período eleitoral. Diogo Nogueira homenageou seu pai, João Nogueira, interpretando “Minha Missão”, cujos versos (“Canto pra denunciar o açoite / Canto também contra a tirania”) ecoaram como um manifesto contra o autoritarismo. Sandra de Sá conduziu um coro emocionante com “Bye bye Tristeza”, invocando a felicidade e a superação do sofrimento imposto pelos anos recentes. Já Ivan Lins trouxe composições da época da ditadura, como “Deixa” e “Bandeira do Divino”, lembrando que a luta pela liberdade é contínua.
A interação entre palco e plateia foi intensa. Jandira Feghali subiu duas vezes à percussão: tocou bateria ao lado de Diogo Nogueira em “Pé na Areia” e acompanhou Sandra de Sá em “Olhos Coloridos”, simbolizando a união indissociável entre a política institucional e a cultura popular. A noite foi encerrada pela escola de samba Império Serrano, elevando o clima de carnaval e alegria coletiva.
Presenças ilustres e rede de apoio

Além dos artistas escalados — incluindo Geraldo Azevedo, Mariana Baltar, Marquinhos de Oswaldo Cruz, Beatriz Rabello, Moyseis Marques e o grupo Jongo da Serrinha —, o teatro recebeu figuras centrais da cena pública brasileira. Na plateia, estavam as atrizes Marieta Severo e Eliane Giardini, o secretário executivo do Ministério da Cultura, Márcio Tavares, e outros candidatos como Carlos Minc, Dani Balbi, Marcio Filho e Lilian Behring.
Este evento consolida uma tendência observada desde julho, quando Jandira realizou o primeiro grande encontro da cultura no Teatro Casa Grande. Diferente de campanhas tradicionais onde artistas apenas “emprestam rostos”, aqui há um reconhecimento histórico da trajetória de Jandira como autora das Leis Aldir Blanc e Paulo Gustavo, fundamentais para a sobrevivência do setor cultural durante a pandemia. Apoiadores como Gilberto Gil, Fernanda Abreu e Carlinhos de Jesus têm destacado essa dimensão prática de sua atuação parlamentar, que une saúde, direitos sociais e desenvolvimento econômico através da cultura.
A cultura como trincheira democrática

O sucesso do Festival Canto pela Democracia evidencia que a esquerda brasileira encontrou na cultura não apenas um nicho de votos, mas uma base ideológica sólida para a defesa da soberania nacional e da democracia. Em um cenário de intensificação de ataques internos e externos às instituições brasileiras, a reunião de ícones da MPB, sambistas e intelectuais no coração do Rio de Janeiro envia uma mensagem clara: a arte está alinhada com a resistência política.
Para a campanha de Jandira Feghali, o evento reforça sua imagem como uma ponte necessária entre o Estado e a sociedade civil organizada. Ao transformar um ato de arrecadação em uma celebração de identidade nacional, a deputada do PCdoB demonstra que a “ousadia” de unir estética e ética pode ser decisiva na reta final das eleições, mobilizando eleitores que veem na cultura um pilar essencial para um Brasil justo e livre.