
O ministro Marco Aurélio Bellizze, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou nesta segunda-feira (12) que Flávio Bolsonaro (PL) remova uma montagem que associa falsamente uma cena de suposto consumo de drogas à manifestação de apoio a Lula na Avenida Paulista. A liminar atende a um pedido da coligação Brasil Pronto pra Mais e estabelece prazo de até 24 horas a partir da intimação.
A falsidade está na associação da gravação ao ato de domingo (11), em São Paulo. Uma checagem do Aos Fatos identificou publicações do mesmo vídeo no sábado (10), em perfis argentinos e chilenos. Portanto, as imagens já circulavam antes da manifestação à qual foram atribuídas.
Bellizze classificou o expediente como “grave manipulação por descontextualização”. O ministro apontou que inserir uma cena preexistente na montagem, sem informar sua origem e data, leva o público a interpretá-la como um registro do evento posterior. Também destacou as generalizações sobre consumo de drogas e o pedido explícito de voto.

O empresário Pablo Marçal e Carlos Bolsonaro, irmão de Flávio, também publicaram o conteúdo, além do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). O perfil oficial do candidato a presidência no Instagram republicou um vídeo do deputado federal eleito pelo Rio Grande do Sul Rony Gabriel com a imagem da mulher e acusações contra os manifestantes.
A campanha de Lula acionou o TSE para retirar publicações que utilizam imagens fora de contexto para atacar a mobilização. Na representação, a coligação argumentou que cenas sem relação comprovada com o evento foram usadas para desqualificar coletivamente seus participantes e favorecer eleitoralmente Flávio.
Embora publicações tenham atribuído a gravação a uma marcha no Chile, essa origem não foi confirmada. O elemento documentado é a circulação anterior ao ato brasileiro, que desmente a apresentação da cena como registro da manifestação feita por apoiadores do presidente Lula na Paulista nesse último domingo (11).