
O escritório do ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite foi invadido na noite de domingo (20), e criminosos levaram o HD que armazenava as imagens das câmeras de segurança. A Polícia Civil investiga quem entrou no imóvel e se a ação tem relação com a Operação Vectura Corrupta, que levou à prisão temporária do político aliado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB).
Uma vizinha percebeu movimentação no endereço por volta das 21h e chamou a Polícia Militar. Os agentes fizeram buscas no local, apreenderam documentos e um celular deixados pelos invasores, mas não localizaram suspeitos. No escritório, também havia R$ 19 mil em dinheiro vivo que não foi levado.
A retirada do HD chamou a atenção dos investigadores porque o equipamento poderia guardar imagens da entrada e da saída dos responsáveis pela invasão. A polícia também vai analisar o material recolhido no escritório para tentar identificar a motivação do crime.
Os investigadores consideram a hipótese de que os invasores buscassem documentos ou outros materiais ligados aos alvos da operação. Até agora, não há confirmação de vínculo entre a invasão, a investigação sobre o transporte coletivo e a prisão de Milton Leite.

Operação apura suspeita de infiltração do PCC no transporte
Milton Leite se entregou à polícia na sexta-feira (18), em uma delegacia de Mogi das Cruzes, após permanecer mais de 24 horas sem ser localizado. No sábado (19), a Justiça manteve sua prisão temporária após a audiência de custódia.
A Operação Vectura Corrupta, deflagrada pela Polícia Civil de São Paulo com apoio do Ministério Público, apura uma suposta infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte público da capital. A Justiça autorizou 16 prisões temporárias e 18 mandados de busca e apreensão.
A decisão judicial aponta Milton Leite como suposto responsável direto pela operação de empresas que, conforme a investigação, estariam sob controle da facção. Policiais militares também afirmaram que ele seria o “dono de fato” da Transwolff, empresa de ônibus investigada anteriormente por suspeita de lavagem de dinheiro ligada ao PCC.
A defesa de Milton Leite nega as acusações. A Transwolff afirma que o ex-vereador nunca participou do quadro societário nem da gestão da empresa. Em uma diligência na casa de um assessor ligado ao deputado estadual Milton Leite Filho, em Sorocaba, os policiais apreenderam R$ 287 mil e US$ 89 mil em espécie.