Crédito cresce, mas juros e inadimplência avançam em agosto

O saldo das operações de crédito do Sistema Financeiro Nacional (SFN) chegou a R$ 7,4 trilhões em agosto, com crescimento de 0,5% no mês, segundo dados do Banco Central.

O avanço foi puxado pelas operações com pessoas físicas, enquanto o crédito para empresas recuou no período. As operações de crédito com as famílias cresceram 0,8% em agosto, alcançando R$ 4,7 trilhões. Já o saldo destinado às empresas caiu 0,1%, para R$ 2,7 trilhões. Em 12 meses, o estoque total de crédito avançou 9,2%, com crescimento de 10,5% para pessoas físicas e de 7,1% para pessoas jurídicas.

O movimento ocorreu em um cenário de elevação das taxas de juros. A taxa média de juros das concessões chegou a 32,3% ao ano em agosto, alta de 0,2 ponto percentual no mês e de 0,4 ponto percentual em 12 meses. O spread bancário também aumentou, alcançando 21,2 pontos percentuais.

Crédito livre às famílias tem juros de 61,7% ao ano

Nas operações com recursos livres, em que as taxas são determinadas pelas instituições financeiras, a taxa média de juros alcançou 48,5% ao ano, com alta de 0,8 ponto percentual em agosto e de 2,3 pontos percentuais em 12 meses.

A diferença entre empresas e famílias aparece de forma expressiva: no crédito livre destinado às empresas, a taxa média caiu 1 ponto percentual no mês e 0,7 ponto percentual em 12 meses, chegando a 24,2% ao ano. Segundo o Banco Central, o movimento foi influenciado principalmente pela redução das taxas médias do cartão de crédito rotativo e das modalidades de capital de giro.

Para as famílias, entretanto, a taxa média chegou a 61,7% ao ano, aumento de 1,4 ponto percentual em agosto e de 2,9 pontos percentuais em 12 meses. Entre os destaques estão as altas nas taxas médias do cartão de crédito rotativo, de 8,7 pontos percentuais, e do cartão de crédito parcelado, de 2,8 pontos percentuais.

Em agosto, as concessões totais com ajuste sazonal cresceram 1,7%, com alta de 3,2% nas operações com empresas e de 0,7% nas operações com pessoas físicas.

Inadimplência chega a 5% no sistema financeiro

O avanço do crédito veio acompanhado de aumento da inadimplência. O percentual de inadimplência da carteira total do SFN chegou a 5,0%, alta de 0,1 ponto percentual no mês e de 0,9 ponto percentual em 12 meses.

Entre as empresas, a inadimplência permaneceu em 3,3%. Para as pessoas físicas, houve alta de 0,2 ponto percentual no mês, chegando a 6,0%. Em 12 meses, a inadimplência das empresas cresceu 0,5 ponto percentual e a das famílias, 1,1 ponto percentual.

No crédito com recursos livres, a inadimplência chegou a 6,6%. Entre as empresas, o índice ficou em 4,3%, enquanto entre as famílias alcançou 8,0%, com alta de 0,2 ponto percentual no mês e de 1 ponto percentual em 12 meses.

No crédito direcionado, a inadimplência ficou em 3,0%. Entre as famílias, o percentual chegou a 3,6%, após alta de 0,2 ponto percentual no mês e de 1,2 ponto percentual em 12 meses.

Outro indicador apresentado pelo Banco Central mostra aumento do endividamento das famílias. Em julho, o endividamento chegou a 49,9%, alta de 0,2 ponto percentual no mês e de 1,1 ponto percentual em 12 meses.  O comprometimento de renda permaneceu estável em relação a junho, mas aumentou 1,4 ponto percentual em 12 meses, chegando a 28,7%.

Crédito ampliado chega a R$ 22 trilhões

Considerando o crédito ampliado ao setor não financeiro — que inclui, além das operações do SFN, outras formas de financiamento — o saldo alcançou R$ 22 trilhões em agosto, equivalente a 164,9% do PIB. Houve crescimento de 0,6% no mês e de 11,3% em 12 meses.

O crédito ampliado às empresas somou R$ 7,3 trilhões, ou 54,6% do PIB, com alta de 1,1% no mês e de 8,7% em 12 meses. O resultado foi influenciado pelo crescimento dos empréstimos externos, dos títulos de dívida securitizados e dos títulos privados de dívida.

No crédito com recursos livres, o saldo total chegou a R$ 4,1 trilhões, crescimento de 0,2% no mês e de 6,5% em 12 meses. O crédito livre para empresas recuou 0,6% em agosto, enquanto o destinado às famílias cresceu 0,8%, alcançando R$ 2,6 trilhões.

Entre as modalidades que impulsionaram o crédito livre às famílias estão a aquisição de veículos, o cartão de crédito rotativo e o crédito pessoal consignado para trabalhadores do setor privado, modalidade que concentra as operações do Crédito do Trabalhador.

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