O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes diz que integrantes da corte descobriram em 24 horas, no celular apreendido do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dados há meses “despercebidos” pelo relator do caso Master, André Mendonça, sobre outros ministros.
O tom irônico de Mendes está no voto dele na questão de ordem envolvendo a Petição (Pet) 16662, referente ao relatório produzido pela Polícia Federal (PF) relacionado ao ministro Alexandre de Moraes e suas supostas conexões com Vorcaro.
“Em menos de vinte e quatro horas de acesso direto a esse acervo, já foi possível identificar elementos que reclamam atenção desta Corte e que passaram despercebidos ao escrutínio atento do eminente Relator”, diz um trecho do voto de Mendes.
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O ministro citou diretamente o caso das interceptações dos diálogos entre Vorcaro e o então diretor jurídico do Master, Luiz Rennó, sobre os pagamentos de “R$ 500 mil por mês” ao advogado Kevin Marques, filho de Nunes Marques.
“Enquanto não se souber quais integrantes desta Corte foram mencionados e em que condição, não se saberá quem pode votar e quem se acha impedido nos feitos correlatos”, diz Gilmar.
Para ele, “deliberar sobre matéria de tamanha gravidade sem que a composição do órgão julgador esteja previamente depurada equivale a decidir antes de saber quem decide”.
O decano argumentou que não se pode aplicar um “pente-fino” seletivo focado apenas em Alexandre de Moraes, “enquanto evidências relativas a outros colegas de plenário são ignoradas ou mantidas em gavetas”. “Apuração parcial é apuração viciada”, defende.
Desse modo, Mendes pede pelo novo voto a suspensão do julgamento até que se identifique todos os ministros envolvidos no caso.
A proposta também leva em conta magistrados do Superior Tribunal de Justiça (STJ), do Tribunal Superior do Trabalho (TST) e dos demais tribunais.