Congressistas dos EUA cobram Rubio por ações contra o Brasil

Doze deputados dos Estados Unidos cobraram explicações do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, sobre a revogação do visto diplomático da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, e sobre a atuação do Departamento de Estado em relação ao processo eleitoral brasileiro.

A carta foi enviada em 6 de outubro, dois dias depois do primeiro turno da eleição presidencial brasileira e 19 dias antes do segundo turno, marcado para 25 de outubro. No documento, os parlamentares questionam se medidas adotadas pelo governo de Donald Trump fazem parte de uma tentativa de influenciar a eleição de 2026.

A carta é assinada por Sydney Kamlager-Dove, Gregory W. Meeks, James P. McGovern, Pramila Jayapal, Nydia M. Velázquez, Jonathan L. Jackson, Sylvia R. Garcia, Dina Titus, Yvette D. Clarke, Mike Quigley, Jasmine Crockett e Madeleine Dean.

Seis dos signatários integram o Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Representantes. Entre eles está Gregory Meeks, principal democrata do colegiado. Kamlager-Dove é copresidente do Congressional Brazil Caucus, enquanto McGovern integra a Comissão Tom Lantos de Direitos Humanos.

No início da carta, os deputados classificam o episódio que culminou na revogação do visto de Ribeiro Viotti  como uma “disputa diplomática fabricada” pelo Departamento de Estado e uma medida considerada “extraordinária e sem precedentes” pelos parlamentares.

Na visão dos políticos, a decisão representa mais um passo na deterioração da relação entre Estados Unidos e Brasil. O documento cita ainda as tarifas de 50% impostas ao Brasil e as sanções aplicadas ao ministro Alexandre de Moraes como parte do quadro de tensão entre os dois países.

Congressistas questionam influência sobre eleição

A carta afirma que a revogação do visto da embaixadora seria a mais recente de uma série de ações da administração Trump que, segundo os parlamentares, buscariam influenciar o resultado das eleições brasileiras de 2026.

Entre outros episódios, os deputados citam a atuação de funcionários do Departamento de Estado que viajaram para tratar de questões relacionadas ao sistema eleitoral brasileiro, as sanções contra Moraes e a nomeação de Darren Beattie como enviado para o Brasil.

O documento também menciona que funcionários do governo norte-americano, Riley M. Barnes, secretário-assistente de Estado para Democracia, Direitos Humanos e Trabalho, e Samuel Samson, secretário-assistente adjunto para a mesma área, tiveram vistos negados pelo Brasil.

De acordo com a carta, a revogação do visto de Ribeiro Viotti teria ocorrido em retaliação à negativa brasileira. Os parlamentares querem saber qual era o objetivo da viagem dos dois funcionários e quais reuniões estavam previstas no país.

Um dos pontos mais diretos da carta diz respeito a possíveis contatos entre integrantes do governo Trump e a família Bolsonaro: os congressistas perguntam a Rubio se o secretário, seu adjunto ou outros funcionários de alto escalão do Departamento de Estado autorizaram contatos com Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro ou seus representantes relacionados à revogação do visto da embaixadora brasileira.

A pergunta ganha relevância no contexto do segundo turno da eleição presidencial brasileira. No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva foram os dois candidatos mais votados e disputarão a segunda votação em 25 de outubro. Flávio obteve 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula.

“Que evidências” existem sobre o sistema eleitoral?

Os deputados também questionam diretamente a atuação do Departamento de Estado sobre o sistema eleitoral brasileiro: a carta pergunta por que funcionários norte-americanos buscaram examinar o sistema eleitoral durante uma campanha presidencial em andamento e exige que o governo apresente evidências concretas para sustentar eventuais dúvidas sobre a credibilidade das eleições brasileiras.

“Que evidências específicas o Departamento possui de que o sistema eleitoral do Brasil possa carecer de credibilidade?”, questionam os parlamentares, que também perguntam se o governo norte-americano considera que a eleição brasileira de 2022 foi livre e justa e se possui alguma evidência de que a eleição de 2026 não será.

Ao todo, os congressistas apresentam sete perguntas ao Departamento de Estado, e questionam se o governo avaliou a possibilidade de que suas ações prejudiquem a relação entre Washington e Brasília, aproximem o Brasil da China ou afetem a cooperação em áreas como combate ao narcotráfico, segurança regional e comércio.

“As relações entre Estados Unidos e Brasil devem se basear no respeito às escolhas democráticas do povo brasileiro”, afirmam, destacando que a relação bilateral não deveria ser determinada pelo resultado eleitoral do candidato apoiado pelo presidente Donald Trump. O prazo estabelecido para uma resposta por escrito é 20 de outubro, cinco dias antes do segundo turno da eleição presidencial brasileira.

Leia abaixo a íntegra da carta encaminhada ao secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.

Artigo Anterior

Lula não disse que “mulher é que nem milho, nasceu pelinho já pode comer”

Próximo Artigo

Moraes se reúne com Andrei Rodrigues e cúpula da PF

Escrever um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter por e-mail para receber as últimas publicações diretamente na sua caixa de entrada.
Não enviaremos spam!