Como era de se imaginar, o senador Flávio Bolsonaro (PL) sinalizou que pretende aumentar o acesso a armas de fogo se ganhar as eleições, assim como fizera seu pai, Jair Bolsonaro (PL). “Legítima defesa tem que voltar, né? Só quem tá armado é bandido”, afirmou.
A declaração foi dada nesta quarta-feira (7) após ser questionado pela Folha de S.Paulo se a política armamentista voltaria no caso de se eleger. Mas, Flávio Bolsonaro não detalhou o que deseja fazer na prática. E seu plano de governo também não aborda o tema.
A política de “armar o cidadão” colocada em prática por Jair Bolsonaro representou um grave retrocesso na busca pela redução no número de artefatos circulando na sociedade, como estabeleceu o Estatuto do Desarmamento, sancionado em 2003 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
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Especialistas no assunto alertaram, na época e ao longo de todo o mandato do ex-presidente, sobre os riscos embutidos nesse tipo de política, tanto pelo seu potencial de elevar o número de mortes, sequelas graves ou ameaças quanto pela possibilidade de servir para alimentar criminosos e estimular outros tipos de violência, como a doméstica e a política.
Mas, não adiantou. E o “libera geral” de Bolsonaro resultou no aumento de 125% no número de armas de fogo particulares registradas, que passaram de mais de 1,32 milhões em 2018 para quase três milhões em 2022, conforme levantamento dos institutos Sou da Paz e Igarapé, feito com dados oficiais obtidos via Lei de Acesso à Informação.
Entre 2022 e junho de 2025, cerca de 12 mil armas foram comunicadas ao Exército como furtadas (4,8 mil), roubadas (1,8 mil) ou perdidas (5,3 mil). Números dessa natureza, no entanto, podem estar subnotificados. Das pouco mais de 3,8 mil armas de CACs (Colecionadores, Atiradores e Caçadores) apreendidas pela polícia paulista entre 2018 e 2023, apenas 86 apareciam no sistema do Exército numa dessas categorias.
Além disso, o Tribunal de Contas da União (TCU) encontrou evidências mais amplas de que armas originalmente legais abastecem o crime. Analisando apreensões da Polícia Federal entre 2013 e 2021 e dados de investigações anteriores, o Tribunal estimou que entre 68% e 76% das armas apreendidas com criminosos haviam sido originalmente adquiridas legalmente.