Centrais acusam Flávio Bolsonaro de tentar esvaziar votação da 6×1 no Senado

O vice-presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Ubiraci Dantas de Oliveira, o Bira, acusou o senador Flávio Bolsonaro (PL) de tentar esvaziar as sessões do Senado para não debater e votar a proposta de emenda à Constituição (PEC) que reduz a jornada de trabalho e acaba com escala 6×1.

“Estou achando que a coisa está andando muito bem. Ontem, apesar da tentativa de Flávio Bolsonaro tentar esvaziar a sessão, ele não foi feliz”, avalia Bira, que está presente, em Brasília, ao lado do presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Sérgio Nobre, e o presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Patah.

Para Bira, a manutenção da escala 6×1 seria um desastre para o povo. “É desumano. Uma mulher, por exemplo, trabalha seis dias. Aí ela vai descansar no sétimo. O que descansar? Ela vai arrumar a casa, vai preparar tudo, lavar a roupa e tal”, diz o vice-presidente da CTB.

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“Nós temos que dar essa oportunidade para o nosso povo para ler, para estudar, para poder cuidar dos seus filhos, ir ao teatro, cinema e levar as crianças para passear”, acrescenta.

Como as sessões são semipresenciais, Bira diz que as centrais estão também nos estados pressionando os senadores para participarem dos debates.

Além disso, o dirigente sindical diz que as centrais estão mobilizadas para a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

 “Agora é hora de regaçar a manga e ir para a rua, buscar voto para que a gente possa derrotar o fascismo e ter um governo mais avançado. Um governo que jogue na direção do povo, reduza as taxas de juros, aumente o investimento público e fortaleça a nossa soberania nacional. Porque a soberania nacional é recurso para o povo: emprego e salário digno”, afirma Bira.

Obstrução

Flávio Bolsonaro, que já se posicionou contra a matéria, articulou para que os senadores da oposição não registrassem presença nas sessões.

“O meu posicionamento é que eu tenho uma proposta infinitamente melhor, que é a da liberdade para o trabalhador escolher a sua própria carga horária”, diz o filho 01 de Jair Bolsonaro.

Na prática, ele defende a proposta 7×0 ou da livre negociação entre patrão e trabalhadores.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), abriu a sessão na terça-feira (6) e nesta quarta-feira (7), apesar do pedido dos bolsonaristas para votar a matéria após o segundo turno das eleições.

A expectativa é que a votação final do texto seja na próxima terça-feira (13) ou quarta-feira (14).

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