Como Trump se apropriaria das terras raras do Brasil em um governo de Flávio Bolsonaro

Flávio Bolsonaro e Donald Trump
Flávio Bolsonaro e Donald Trump. Foto: Reprodução

Um documento de 22 páginas elaborado por André Marinho, candidato do Novo ao governo do Rio de Janeiro e aliado de Flávio Bolsonaro, propõe uma parceria entre Brasil e Estados Unidos para exploração, refino e processamento de minerais críticos e terras raras em um eventual governo do senador. A apresentação, intitulada “Prosperity Partnership”, defende o alinhamento brasileiro aos interesses estadunidenses na disputa por cadeias de suprimentos fora da China.

Os metadados do arquivo obtido pelo portal Amado Mundo apontam Marinho como autor, identificação que ele confirmou. Produzido em 19 de março, o material traz na capa a inscrição “Flávio Bolsonaro | 2026 Campaign” e repete nas demais páginas o nome do senador acompanhado do slogan “Prosperity Partnership”.

A apresentação afirma que uma administração de Flávio Bolsonaro colocaria o Brasil como “principal fornecedor e polo de processamento de minerais críticos alinhado ao Ocidente no Hemisfério Ocidental”. O texto promete industrialização, geração de empregos e autonomia estratégica, ao mesmo tempo que oferece aos EUA uma fonte de minerais independente da China.

O documento classifica o governo Lula como “pró-China” e diz que a atual política externa mantém uma “ambiguidade geopolítica deliberada”. Em contraste, resume sua proposta com a frase: “Lula hesita, Bolsonaro executa”.

André Marinho é filho de Paulo Marinho, presidente do diretório fluminense do PSDB e eleito em 2018 como suplente de Flávio, quando ainda era filiado ao extinto PSL.

André Marinho, candidato do Novo ao governo do Rio de Janeiro. Foto: reprodução

Plano prevê até US$ 100 bilhões em mineração e processamento

Entre os seis pilares propostos estão a aceleração de reformas na legislação minerária e no licenciamento, o processamento doméstico dos materiais, a união de capital americano com ativos brasileiros e a criação de um “clube de minerais críticos” alinhado aos Estados Unidos. O documento também trata esses recursos como um ativo de segurança nacional.

Para um período de dez anos, a projeção cita investimentos entre US$ 50 bilhões e US$ 100 bilhões em mineração, refino e processamento. O material estima a criação de 500 mil a 1 milhão de empregos e um acréscimo de 1,5 a 2,5 pontos percentuais no PIB, sem detalhar os critérios usados para chegar aos números.

A mensagem final, destinada a “interlocutores americanos”, sustenta que o Brasil pode fornecer escala geológica, territorial e econômica, desde que receba certeza de demanda, capital e parceria estratégica. “O OCIDENTE NÃO TEM UM PROBLEMA DE MINERAIS. TEM UM PROBLEMA DE EXECUÇÃO. O BRASIL É A SOLUÇÃO”, diz o texto.

Nove dias depois da elaboração do documento, Flávio Bolsonaro afirmou na conferência conservadora CPAC, em Dallas, que o Brasil seria a solução dos EUA para reduzir a dependência chinesa de minerais críticos.

Em maio, o senador se reuniu em Washington com Donald Trump, J.D. Vance e o secretário de Estado Marco Rubio; ele disse que tratou de tarifas, terras raras e facções criminosas. André Marinho negou que o estudo tenha relação com a campanha de Flávio ou que o tenha apresentado a autoridades americanas, enquanto a campanha não respondeu às perguntas enviadas sobre o material.

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