
Os advogados Camilla Ramos e Gabriel Ramos, esposa e filho do desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), procuraram o advogado-geral da União, Jorge Messias, para propor um acordo que envolvia precatórios adquiridos pelo Banco Master, de Daniel Vorcaro. Messias recusou a negociação e informou que a União não tinha interesse em discutir os processos.
O encontro ocorreu em 8 de setembro de 2025, após pedido feito pelo escritório Queiroga, Vieira, Queiroz e Ramos, contratado pelo Master no fim de 2024. A banca atuava em 12 ações que reuniam R$ 8,5 bilhões em precatórios do setor sucroalcooleiro comprados pelo banco.
No pedido de audiência enviado à Advocacia-Geral da União, Gabriel Ramos escreveu que pretendia tratar da “possibilidade de realizarmos acordo, em nome de nosso cliente, em ações indenizatórias ajuizadas contra a União Federal por usinas do setor sucroalcooleiro, que se encontram em fase de Cumprimento de Sentença”. O cliente mencionado era o Banco Master.
O pedido ocorreu enquanto o banco enfrentava uma crise de liquidez. Na data da reunião, o presidente do BRB disse a um interlocutor que a instituição de Vorcaro “poderia quebrar a qualquer momento”.

AGU contestava créditos e rejeitou negociação
A União sustentava que ainda havia controvérsia sobre os supostos prejuízos das usinas provocados pelo tabelamento de preços do extinto Instituto do Açúcar e do Álcool, nas décadas de 1980 e 1990. Para a AGU, não havia base para abrir uma negociação enquanto as discussões judiciais continuassem.
Em 2020, o Supremo Tribunal Federal acolheu manifestação da União e determinou que cada usina comprovasse o prejuízo econômico com perícia contábil individualizada, balanços e demonstrações financeiras da época. A exigência tornou a comprovação mais difícil, já que os fatos remontam a mais de 30 anos.
A União também contesta, em parte dos processos, a habilitação do Banco Master como credor. A AGU argumenta que a instituição não teria legitimidade para atuar no polo ativo das ações, embora o banco tivesse precatórios de ao menos 12 usinas até o fim de 2024.
Em 23 de setembro, Messias comemorou a decisão do corregedor nacional de Justiça, ministro Benedito Gonçalves, que cancelou R$ 4,7 bilhões em precatórios do setor e determinou a devolução dos recursos à Conta Única do Tesouro Nacional. O advogado-geral da União classificou os títulos como “fraudulentos”.
Camilla Ramos era tratada por assessores de Vorcaro como integrante da “turma do KN”. Mensagens de Leo Serrano, responsável por organizar viagens, festas e hospedagens para o banqueiro, indicam que tratativas sobre uma mansão reservada no Rio de Janeiro para o carnaval das famílias de Newton Ramos e do ministro Kássio Nunes Marques ocorriam diretamente com o desembargador.