
O Ministério Público de São Paulo (MPSP) investiga pagamentos de R$ 2,98 milhões que teriam saído das Casas Bahia para auditores fiscais da Secretaria da Fazenda de São Paulo (Sefaz-SP). A apuração aponta que o dinheiro buscava obter vantagens no ressarcimento de ICMS, enquanto a varejista enfrenta dívidas declaradas de R$ 17 bilhões em seu pedido de recuperação judicial. Com informações de Metrópoles.
A operação do MPSP investiga um esquema que pode ter movimentado mais de R$ 1 bilhão em propinas e beneficiado dezenas de empresas. Executivos e proprietários da Fast Shop e da Ultrafarma chegaram a ser presos no mesmo caso.
As Casas Bahia apresentaram o pedido de recuperação judicial com passivo de R$ 17 bilhões. A empresa tenta reorganizar suas finanças e precisará submeter um plano de recuperação à aprovação dos credores.
Para o advogado Luis Fernando Guerrero, especialista em recuperações judiciais, a investigação pode provocar uma “crise de confiança” em torno da companhia. “A empresa já passa por dificuldade, já negocia com credores, e agora surge essa situação que pode abalar, de algum modo, a confiança no mercado”, afirmou.

Investigação pode afetar relação das Casas Bahia com credores
Guerrero avaliou que a suspeita pode gerar impacto no mercado, mas não produz efeito direto e imediato sobre a recuperação judicial. Ele ressaltou que a investigação está em fase inicial e que uma eventual responsabilização judicial de agentes e administradores pode levar de três a cinco anos.
“Do ponto de vista da recuperação, propriamente, não tem um impacto direto”, resumiu o advogado. Para ele, o desafio da empresa será cumprir as condições do plano que apresentar aos credores e preservar a confiança durante as negociações.
As Casas Bahia afirmaram que criaram, em março de 2026, um Comitê Independente de Investigação para acompanhar e apurar os fatos relacionados ao caso. A companhia declarou que os trabalhos do grupo ainda estão em andamento.
Em nota, a varejista disse que permanece à disposição das autoridades para colaborar com as apurações e reiterou que “repudia qualquer ato ilícito, conduta antiética ou prática que viole a legislação”.